domingo, 26 de dezembro de 2010

IntimidadeS NatalíciaS


Este ano achei por bem, e acima de tudo por mal, partilhar com todos aqueles que têm a ousadia e a intrepidez mental (não faço a mínima ideia do que acabei de escrever) de ler os conjuntos de palavras ordenadas e colocadas por ordem que eu escrevo. Isto quando não estou podre de bêbado e acabo pro ecresver cosias qeu noã fazme sentdfo nenhun. Dizia eu que ia partilhar com todos vocês , ou seja, com as 3 pessoas que me lêem - obrigado mãe, Bobby e Tareco - uma foto da minha consoada de Natal. Juntei um grupinho de amigas que fiz na Associação De Pessoas Extremamente Tímidas e Inibidas . Aí estou eu, como podem ver, com a chamada Sacrifice Face , ou  Tromba de Sacrifício, em português, numa das fotos que tiramos em que ainda havia roupa a tapar algumas partes mais pontiagudas dos nossos corpos. Posso-vos dizer que acabamos a noite a jogar Monopólio genital. Apenas vos digo que fartei-me de pôr o meu arranha-céus nos lotes abertos das meninas. Mas isso não interessa nada. Até porque o que é bom, acaba-se depressa e eu tenho que me preparar para a passagem de ano, e , como é óbvio, algo de estranho irá acontecer, não fosse eu o Mr. Bean das lagartas. Despeço-me, não sem antes desejar um Natal mais ou menos e um Ano Novo assim assim. O Natal espectacular e um grande ano de 2011 guardei eu para mim!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A Ida Ao Barbeiro



Hoje fui ao barbeiro. Só por si, assim à primeira e à segunda vista e como quem não quer a coisa, não parece nada de especial. Não seria nada de especial para uma pessoa normal, mas para um perfeito palerma como eu, é óbvio que deu buraco. Ai se deu. Só corto o cabelo p'rai de 3 em 3 meses, ou mais. Basicamente, só quando estou numa sala escura com as luzes apagadas e nem o preto consigo ver, aí sim, é altura de ir visitar o barbeiro. Barbeiro esse que me corta a trunfa há mais de duas décadas e me conhece de pequenino. Agora façam as contas. Se eu lá for de 3 em 3 meses, significa que vou lá 4 vezes por ano, vezes 20 e tal anos dá mais de 100 visitas. Apesar disso, não é que o cabrão não sabe o meu nome ?! Pior ! Não só não sabe o meu nome, como me chama de Tiago. Tiago ?!?! Ah , peço desculpa, Tiago é parecidíssimo com Rui. É tipo Cornetto e Calippo.
"Dê-me um Calippo de morango se faz favor" , " O quê? Queres um Cornetto de Chocolate?". Enfim, não vamos por aí. 
Como eu estava a dizer, entrei e ouvi logo um " então Tiago, vens cortar o cabelo". Começas bem, pensei logo eu para mim. Não, quero 1 kg de carne de vaca picada. 2 vezes se faz favor. Não disse isto porque sou um gajo educado e refinado, mas vontade não me faltou. No seguimento de coisas boas, a máquina encravou, e com ela foi metade do meu escalpe agarrado. Saltou uma posta que mais parecia um lombo de bacalhau que outra coisa. Foi nessa altura que eu vejo o Sr.Ernesto entrar. Caguei-me todo, foda-se.
- Oh Tiago, a máquina encravou, e assim que acabar de dar uns pontos na tua cabeça, aqui o Sr. Ernesto corta-te o cabelo, tá bem ?
Para quem não sabe, o Sr. Ernesto é o jardineiro lá do bairro. Anda sempre com uma moto-serra numa mão e um cortador de relva na outra. Corre o boato que cortou a cabeça da mãe porque ela lhe deu uma prato de Cerelac quente demais. Bom, lá os convenci a mandar o Sr. Ernesto embora e lá acabaram por me cortar o cabelo. Uma coisa que nunca percebi é o calor que faz dentro daquela barbearia. Acho que dormir dentro de uma lareira acesa é mais fresquinho. Como começo logo a suar, quero é que eles se despachem. Assim que sinto a mão na minha testa suada penso logo 'pronto, o cabrão do velho tá a sentir a nhanha peganhosa e vai me cortar o cabelo aos bicos'. 'Tá bom ou vê lá se queres mais curto' , eu abano logo a dizer que sim, pago e vou embora. Assim que chego ao carro vejo logo a merda que me fizeram. Consigo chegar a casa mais depressa do que se estivesse à rasca para cagar. Vou à casa de banho e olho-me no espelho. Sofro daquilo a que chamo Efeito Whisky. É o mesmo que acontece quando vamos à discoteca e, podres de bêbados, engatamos uma gaja boa como o milho. No dia a seguir quando acordamos sóbrios, damos conta que temos um entrouxo manhoso com ar de pindérica atrombolhada ao nosso lado. É mais ou menos o efeito dos espelhos nos ginásios ; parecemos sempre magros e musculosos. Quando chegamos a casa e nos vamos olhar ao espelho, damos conta que do ginásio até casa ganhamos uma pança maior que a do Nicolau Breyner. Resultado : dou comigo com a cabeça no lavabo e com a tesoura na mão. Passados 5 minutos e outras tantas tesouradas, só me vem uma coisa à cabeça ; abençoado o gajo que inventou o boné . . . .

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O (in)Voluntário



Lamento profundamente informar todos aqueles que pensavam que eu já tinha morrido, e passo a citar 'eh pá , o cabrão morreu', pois para alegria de . .  basicamente ninguém, eu estou vivo e de boa saúde. O cuspir sangue, os vómitos e as fezes a parecerem mousse de chocolate mas com cheiro de diarreia de há 4 dias, segundo o meu médico, são apenas sinais de stress. Abençoado stress, seja lá ele o que for. Acontece que acordei um dia -lá está, mais um sinal de saúde, quem não acorda de manhã não padece de grandes perspectivas além de um cemitério - e disse : Foda-se, quem é que se cagou aqui que tá um cheiro a merda horrível ? Depois apercebi-me que tinha dormido sozinho e calei-me. Basicamente o que eu quero dizer é que tive uma epifânia. Não tem nada a ver com afanar, tem a ver com o facto de eu ter tido uma visão, uma luz que me disse Oh grande monte de merda, faz algo de útil na vida. Isso e mais meia dúzia de palavrões que nem me atrevo a repetir aqui. Foi então que decidi embebedar-me. E assim foi. Resultado: 4h da manhã deitado  no meio da rua na 24 de Julho, aquecido com o meu próprio vomitado espalhado pelo meu corpo. Foi então que apareceram uns gajos de uma associação que têm por hábito (que merda de hábito, mas enfim) agarrar em gajos podres de bêbados e fazê-los assinar inconscientemente uma declaração na qual se tornam membros de uma associação de voluntários chamada Trabalhadores Involuntários. E pronto, sem saber ler nem escrever, lá fui para uma missão voluntariado na Etiópia, vejam bem. Eu, que o mais longe que tinha foi até Paço D'Arcos o Verão passado para tomar um banhinho na praia do cagalhão. A minha missão consistia em localizar e procriar com o maior número de mulheres loiras de olhos azuis cujo principal meio de transporte no deserto da Etiópia, fosse um Ferrari amarelo. Como devem calcular, a missão foi um estrondoso, hummmmmm . . . como é que eu hei-de dizer isto, fiasco! É isso, fiasco. Mais depressa abria uma loja Emporio Armani , e ficava rico a vender roupas chiquérrimas e caras como a puta c'os pariu no meio do deserto, do que encontrar mulheres loiras de olhos azuis cujo principal meio de transporte no deserto da Etiópia, fosse um Ferrari amarelo. Mas nem tudo foi mau. Fiquei a saber que as camelas são óptimas na cama. Nas dunas, vá. Só por si, o simples facto de comer uma camela numa duna do deserto da Etiópia, já é muito mau, o facto de cada trancada que lhe dava me vinha a imagem do Rui Reininho à cabeça, isso meus amigos, marca-me até hoje. "Dunas , são como divãs . . .  biombos indiscretos , bla bla bla" , são o raio que ta parta pá! Eu bem que via os outros camelos a rirem-se de mim lá atrás, mas sempre ouvi dizer, malandro que é malandro não estrilha, muda de esquina. Ou de duna.

                 ATENÇÃO : TÁ UM P.S AQUI EM BAIXO











P.S: É com grande orgulho que vos digo que assim que voltei, passei 2 dias e 3 noites enfiado na primeira casa de putas que encontrei. Só me levantava da cama para mijar, e isso só quando o penico já estava cheio. Posso-vos dizer que tive a gaita mais tempo enfiada na boca do que o pífaro na boca do Rao Kyao . . .

domingo, 28 de novembro de 2010

Artur, O Deficiente Das Forças Armadas



Antes de mais, quero que fique aqui bem expresso - não, não é publicidade ao jornal - que tenho toda a admiração pelos nossos bravos combatentes, em especial aqueles que trouxeram sequelas físicas das guerras em que participaram. Eu próprio sei dar o valor. Ainda ontem estava a jogar Playstation e ia partindo o dedo mindinho ao dar um pontapé no sofá quando perdi a minha ultima vida a lutar contra uma centopeia gigante. Doeu p'ra caralho. Aliás, doeu pr'a mindinho! Logo aí apercebi-me que nas guerras a sério, um gajo estar muito sossegado atrás de um arbusto, com a cara pintada que mais parece que vai para um jogo do Sporting, e de repente, como quem não quer a coisa, leva uma morteirada no lombo, eh pá . .  deve ser irritante. Ah, e também deve doer. Pelo menos que avisassem. Oh excelentíssimo senhor inimigo, tenha atenção que eu e a minha malta, vamos lançar para esses lados uma data de coisas que são capazes de picar ... e arrancar membros, já agora. Mas pronto, a juventude de hoje em dia não tem educação nenhuma e lá vai disto, toma lá uma granada ou um míssil e desenmerda-te. Foi o que aconteceu ao Artur. O Artur, que por acaso é meu vizinho, teve um galo do catano. A mãe mandou-o ir às Finanças tratar de uma papelada, ele que era burro que nem uma porta - hoje em dia é burro que nem uma janela - entrou na porta ao lado, e quando deu por ele , lá ia a caminho do Iraque. Passados 6 meses, o Artur voltou. Diferente, mas voltou. Como é que eu hei-de dizer isto ; o Artur teve um pequeníssimo ferimento de guerra. Foi apertar os atacadores e pisou 4 minas, ao mesmo tempo que levou com um míssil nas costas. Resultado: perdeu todos os membros do corpo. Ah, e perdeu o tronco também. Resumindo, ficou só a cabeça. Fui busca-lo ao aeroporto. A minha primeira reacção quando o vi foi ' Eh pá, tens um penteado novo oh Artur!' , admito que não tenha sido a coisa mais brilhante do mundo, mas antes isso que dizer ' dá cá um abraço' . Todos tentámos ignorar ao máximo o problema. Lá na rua, os putos brincavam com o Artur como se nada fosse. Antes de ir para a guerra, era o guarda-redes do bairro. Agora é a bola. Eu reagi de maneira diferente, tentei levá-lo comigo para todo o lado. Principalmente para o bowling. Bons tempos passamos nós. Ainda me lembro como se fosse hoje, quando eu lhe gritava OH ARTUR, FECHA OS OLHOS ANTES DE ACERTARES NOS PINS  !!!  Tínhamos uma amizade bonita. Sempre na palhaçada. No Carnaval, eu embrulhava o Artur num papel vermelho, escrevia Flamengo por fora e dava às minhas tias. Parece que tou a ver a cara das carcaças velhas quando abriam e em vez do queijo viam uma cabeça humana. Aí sim, davam uma nova forma à palavra enfarte. Com o passar do tempo perdi o contacto com o Artur. Ele não gostava muito de telemóveis, nunca percebi bem porquê. Dizia ele que estava sempre a apanhar choques por ter de atender com a língua. Ainda me lembro quando o Artur espirrava. Tínhamos de o ir apanhar ao fundo da rua, e se apanhasse balanço e houvesse inclinação, nunca mais o víamos. Parecia um balão a perder ar. Hoje em dia, sempre que vejo um jogo de futebol, lembro-me dele . . . .

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

PatimJacking



Cheguei à triste conclusão que jamais serei famoso. Comentários do tipo és um burro, tens uma inteligência ao nível de uma parede de tijolo, és um brujeço e por aí adiante, desmoralizam um gajo. Quando são os amigos a dizer-nos isso, ainda vá que não vá, agora quando são pessoas na rua, que não conhecemos de lado algum, a dizerem-nos és um burro, tens uma inteligência ao nível de uma parede de tijolo e és um brujeço, se calhar é caso para parar e pensar que são capazes de ter razão. Para dificultar-me mais a vida, a minha principal actividade profissional está com os dias contados ; assaltar velhotas que vão buscar as pensões no dia 1 à Caixa Geral de Depósitos. Esta crise tá a dar cabo das profissões de toda a gente. Não há dinheiro para as reformas, logo, vou ficar no desemprego. Foi então que se fez luz na minha cabeça, que é dos poucos sítios onde ainda não tenho de pagar nada à EDP. Nos intervalos dos filmes da Playboy TV, mudo para as notícias. Ah e tal assaltaram um carro. Não sei quem fez não sei quê e levou o carro. Eles eram 4 encapuçados, mediam entre 1,50m e 2,25m, tinham 2 braços , 2 pernas e hálito a Tridente de morango. Meus amigos, CarJacking ! É a maneira de eu aparecer na televisão e ser famoso. Os marmanjos que fazem Carjacking aparecem sempre nos telejornais rodeados de policias e seguranças. É isso mesmo, vou-me dedicar ao Carjacking. O único problema é que isso já está muito batido, qualquer míudo aponta uma naifa a um gajo e saca-lhe um carro. Eu quero ser um pioneiro, um inovador, quero que as pessoas passem por mim na rua e digam bandalho, deste cabo da minha vida. Vocês sabem, este tipo de incentivo. Foi então que decidi ser o primeiro gajo no mundo a fazer Patimjacking. Basicamente é a mesma merda que o carjacking mas sem carro. Com patins. Um dia fui para o Restelo, para os parques infantis onde param as criancinhas todas. Tudo o que fosse patins em linha marchava. Aqueles de 4 rodinhas também, mas é uma onda mais retro, mais anos 70, é o mesmo que roubar um Fiat Uno quando temos um Ferrari ao lado. A primeira vitima foi um familiar do José castelo Branco - já vão perceber porquê mais à frente . Não tinha nada pensado sobre como abordar a pessoa, deixei-me ir na emoção do momento e bora nessa Vanessa. OU ME DÁS OS PATINS OU VOU-TE AO CÚ - disse eu num tom incrivelmente masculino e machão.
- Ai filha , patins há muitos !! - E nisto baixou as calças e apontou-me o escape.
Como era a minha primeira vez no mundo do Patimjacking, não quis ficar com fama de paneleiro e fui-lhe ao bujon. A partir daqui foi sempre a melhorar. Fui apanhado 3 ou 4 vezes pela polícia, quase sempre quando ainda estava a tentar calçar os patins. É que no Carjacking um gajo afana o carro e pira-se dali. No meu caso, e com o jeitinho que eu tinha para calçar/andar de patins, entre roubar e fugir dali p'ra fora, era menino para demorar três quartos de hora. Ou mais, conforme eu tivesse as unhas cortadas ou não. Mas o que me dava realmente gozo e que fazia com que esta minha actividade fosse tão bonita e nobre, era quando eu fugia com os patins e ouvia ao longe Mamã , Papá, aquele ladrão roubou-me os patins que a Vovó me deu antes de morrer. É que, meus amigos, ser ladrão é o primeiro passo para um dia mais tarde chegar a Primeiro-Ministro*. . .



* Porreiro, pá !

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A Lei Do Estômago



Sou um gajo egoísta, admito. Não gosto de partilhar com os outros. Aliás, eu nem gosto de partilhar comigo mesmo, quanto mais com os outros. É por esse motivo que eu não quero ter 2 personalidades. Era só o que me faltava ter de partilhar o meu corpo com outra personalidade, tá bem tá. Mas hoje vou abrir uma excepção e partilhar algo meu, do meu íntimo, do meu foro interno (literalmente). Ainda à escassos momentos, estava eu naquele local de inspiração para grandes génios e mentes por esse mundo fora, de seu nome localis di cagare, em latim , que, trocando por míudos quer dizer mais ou menos, retrete, vá. Veio-me uma coisa à cabeça. Minto ; vieram-me duas coisas à cabeça.  A primeira foi o cheiro nauseabundo e quase Chernobylesco que insistia em sair das profundezas do meu extremamente esbelto e linearmente esculpido corpo de Adónis do Casal Ventoso. A segunda foi que - isto pode parecer estúpido e idiota, mas vendo bem, é idiota e estúpido - aquilo que nós defecamos sai por uma ordem lógica e pré-determinada. Imagino que haja neste momento um grande dúvida nas mentes de muitos de vós : O que é defecar ? Pois bem, defecar é, nem mais nem menos que cagar de forma fina. Arriar o calhau, pronto. Não vale a pena estarem p'raí com ai que nojo, sempre com a conversa de merda  e não sei quê. Meus amigos, TODOS cagamos. A diferença é que enquanto a alguns lhes basta salpicar a salada de frutas, a outros, o banho é a única solução. Mas dizia eu que tive uma visão. Aliás, duas visões se contarmos com a do gremlin que teimava em não descer mesmo depois de eu já ter estragado 3 piaçabas e descarregado o autoclismo 16 vezes seguidas. Posso dizer que jamais vou olhar para uma mousse de chocolate da mesma maneira. Bom, cheguei à conclusão o nosso intestino funciona por senhas. Ou seja, eu comi guacamole ao jantar e fui à casa de banho. Qual foi o meu espanto quando me veio um cheiro bastante intenso e desagradável a feijoada, que por acaso tinha sido o meu almoço. Logo, isto quer dizer que existe sim uma hierarquia merdal. Almoço primeiro, jantar depois. Pelo menos comigo funciona assim. Pode-se dizer que o meu intestino é tipo uma repartição das finanças onde somos despachados pela ordem de chegada e onde, mais tarde ou mais cedo, vamos ter de voltar lá. A única diferença é que não é preciso tirar senha. O almoço entrou primeiro, sai primeiro. O jantar, esse, a não ser que tenha algum conhecimento lá para os lados do intestino delgado ou do esófago, vai mesmo ter de esperar pela vez dele para ser 'atendido'.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O Aluguer



O que vos vou contar pode parecer bastante estúpido, muito provavelmente porque é mesmo bastante estúpido, mas mesmo assim sinto uma necessidade tão grande de desabafar como a vontade que a Mónica Lewinsky tinha de apitar a gaita do Bill. Tá aqui um gajo sozinho e sossegado no seu canto a altas horas da madrugada , a tentar manjar um filme pornográfico que fui buscar ao clube de vídeo. Não é tarefa fácil, aviso-vos já. A não ser que queiram ser rotulados na vizinhança de punheteiro, alugar um filme porno sem que ninguém perceba requer arte e engenho. Normalmente coloco-me num ângulo de 90º graus de modo a que a prateleira dos ditos cujos fique de costas para mim, mas de maneira a que eu consiga ver as capas, nem que seja pelo cantinho do olho - expressão que acho extremamente apropriada, tendo em conta os filmes em questão. O ideal é fingir que estou à procura de um filme na secção dos filmes de Acção. Se houver mais machos no local, pensam logo "eh pá, aquele gajo deve ser fodido para a mocada, é melhor não olhar de frente para ele", e dessa forma saio com a fama de machão e tal. Mas se houver gajas, aí a coisa muda de figura. Aqui o Je muda logo para a secção de Comédias Românticas, mesmo naquela de " um homem sensível, não é como aqueles brutamontes que só querem ver sangue e mortes, ai ai ". Posto isto, e assim que não esteja ninguém a ver, saco o filme que quero, meto-o debaixo do braço e vou junto do parvo que está a atender.
- Tens o ultimo filme do Charlie Chaplin ? , digo eu muito convicto da minha escolha.
- Ele já morreu há mais de 30 anos.
- Ok , então levo este aqui mesmo.
- Qual ? O ' Fodas à Jorge Jesus : 7 na peida! ' ?!
- Sim , esse mesmo . . importa-se de falar mais baixo ?!
- Só um momento, vou pedir ao meu colega para trazer.
De repente , ele pega no microfone e ouve-se alto e bom som nos altifalantes da loja :
- Carlos ... Carlos, PODES VIR À RECEPÇÃO TRAZER O 'Fodas à Jorge Jesus: 7 na peida!' PARA O SENHOR DE VERDE AQUI NO BALCÃO, OBRIGADO.
É nessas alturas que a expressão "Só queria ter um buraco para me esconder" toma o seu real significado. Não é de estranhar que quando passo na rua oiço bocas do tipo "oh tarado, já vais p'ra casa descascar uma" , " oh punhetas, não as comas com os olhos que ainda ficas cego" , enfim, tudo pessoas com infâncias tristes, digo eu. Tornei-me alvo de chacota na vizinhança. A última que me fizeram foi porem um bicho morto na campainha da minha porta. Dizem eles , que é para quando for alguém lá a casa me tocar ao bicho. As pessoas são más. Só porque tenho o braço direito mais desenvolvido que o esquerdo, fazem logo filmes e não sei quê. É uma questão de genética, digo eu. É uma questão de punheta, dizem eles. Há gajos que já viram o E Tudo o Vento Levou umas 50 vezes. Eu vejo filmes educacionais como Bebe o Leitinho Todo Que Só te faz Bem. É bom aprender e ver coisas novas, parar é morrer. E como eu costumo dizer, águas paradas atraem o mosquito da Dengue, e por estes lados, o único mosquito que tem direito a picar é o mosquito zarolho . . .

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A Importância do 'Re'



Tenho reparado que muita gente não dá a devida importância às pequenas coisas da vida, do dia a dia. Eu dou. Sou obrigado a isso. Pelo menos todos os dias quando acordo e vou mijar, dou comigo a olhar para a mangueira genital e a pensar  Que mal terei eu feito para merecer este mini pickle ? Pois, provavelmente isto já aconteceu a alguns de vós, não nas dimensões do meu caso, mas algo parecido. Nestes últimos dias, e talvez por não tomar a medicação contra as alucinações, tenho reparado muito no re. Agora, e com todo o direito, perguntam vocês "Oh meu granda boi , que merda é essa do re ??? Devo admitir que até fico um bocado envergonhado em responder, mas vendo bem as coisas, pior do que estar a teclar de fio dental rosa, unhas pintadas e cinto de ligas com uma nota de 10€ pendurada, não deve ser. O re é aquela coisinha que nós pomos antes das palavras e que significa voltar a fazer uma determinada acção. Em vez de dizermos 'voltar a ler', dizemos 'reler'. Em vez de dizermos 'enviar outra vez', dizemos 'reenviar' , e por aí adiante. Acho que já deu para perceber a ideia, se não deu é porque são uns burros do caralho. Quer dizer, são pessoas que não estão com atenção, vá. Adiante. Como eu estava a dizer, a vida é minha e eu faço dela o que quero. E nela incluo a maneira de falar. Se o Sócrates foi eleito Primeiro-Ministro, porque é que eu não posso falar como quero?  Se usamos o re para umas coisas, porque não o usamos em tudo ? Isso, meus amigos,  é discriminação palavral. Por exemplo, vou-vos contar um episódio normalíssimo do meu quotidiano usando a linguagem re. Reestacionei o meu carro na garagem. Recarreguei no botão do elevador e reentrei em casa. Revi a minha mulher. Estava a recozinhar, tal e qual como nos outros dias. Redisse que queria batatas fritas com o bacalhau. Ela refilou. Segundo ela, batata frita com bacalhau é tão bom como almôndegas com chantily. Enfim, resuspirei e resentei-me no sofá. Repeidei-me que nem um lorde, a feijoada do almoço ainda não tinha descido toda. Resolvi ir recagar a retrete. Bom, recaguei-me todo e tive de rebanhar-me, só relavar os tomates não era o suficiente. Reentrei na sala e estava o comer na mesa. Recomi e fui para a cama. Passados escassos minutos, a patroa refez o mesmo. Assim que ela se redeitou na cama, eu reapalpei-lhe a peida. "Estás a rearmar-te em parvo é ?" redisse ela num tom depreciativo. "Não querida, apenas pensei que podíamos refoder". Reamanheceu e eu reacordei. Relevantei e dirigi-me à casa de banho. Recocei os tomates como se fosse o fim do mundo e remijei que nem uma mangueira dos bombeiros. Rearrotei e relavei os dentes. Revesti-me e preparei-me para ir retrabalhar. Não sem antes redar a palmadinha da praxe no traseiro da patroa, como se estivesse a matar uma mosca. Cheguei ao trabalho e reoiço uma voz ao longe , "Oh Caldeira . . .  reatrasado mais uma vez ?!?!? está redespedido !!" . "Oh chefe, não me pode redespedir, ainda não me despediu !!". "Ai é ? Então tá despedido !! E agora  . .  redespedido !!".  Bom, como dá para ver, até no mundo dos re existem pessoas destas. São os chamados refilhos da  reputa . . .

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O Mija Em Pé



Desde há uma porrada de anos que os homens e as mulheres são diferentes na forma como mijam. As mulheres gostam de arreganhar a bicha sentadinhas, quiçá para aproveitar aquele tempo perdido e ler uma revista ou arranjar a unhinha, enquanto o homem faz uso daquilo a que eu cientificamente chamo de SDB - Síndrome Do Bombeiro - e agarra-se à mangueira e mija para tudo quanto é lado. E não, o mijo não é um bom adubo para as plantas. Posto isto, devo partilhar com vocês que não sou adepto dos chamados festivais de Verão. Se algum de vocês tem filhos que vão a festivais de Verão, ignorem o que vou escrever a seguir, é tudo mentira, sou eu na palhaçada. Se algum de vocês tem um pai ou uma mãe que lê as minhas barbaridades, é capaz de ser uma boa altura para não os deixarem ler isto. Para mim, festivais de verão é sinónimo de Álcool e Drogas, não necessariamente por esta ordem. Logo aí e à partida existe um problema ; eu não dispenso o meu Bollycao com o meu Sumol de Laranja. Também nunca achei muita piada a falar com pessoas que não existem, e a minha ideia de diversão não é falar com postes de electricidade nem cair 76 vezes numa única noite. Música ao vivo para mim é quando carrego no Play na consola central do meu extremamente masculino e poderoso automóvel. Ainda outro dia, estava a ouvir Ivete Sangalo , e naquela parte "Tira o pé do chãooooo" entusiasmei-me, tirei o pé do acelerador e espetei-me mesmo em frente às Amoreiras. Outro grande mal dos festivais é a precariedade das instalações sanitárias. Se para o espetar todo, eu não sou lá muito esquisito em relação ao local, já para mijar ou cagar , sou fino. Gasto 2 rolos de papel para forrar uma retrete pública e, se vir um pintelho nas bordas, sou menino para chamar a Protecção Civil. Como é óbvio, não cago no meio das ervas, até porque tenho medo que me entre alguma lagartixa pelo rego adentro. Não é que tenha medo da lagartixa, tenho é medo de me habituar e depois é uma chatice. Enfrentar as filas para as W.C's improvisadas é quase como tentar atravessar a ponte 25 de Abril depois de um dia de praia com 39ºC. A opção é mijar no mato. Para o homem a tarefa é fácil, basta sacar do Songoku e apontar na direcção desejada. Não aconselho a fazê-lo com ninguém muito perto, especialmente se estiver com os copos. Para as mulheres a coisa torna-se ainda mais complicada, correndo ainda o risco de salpicar as bordas do cu, o que é má publicidade, pois nenhum homem quer uma gaja com bafo a mijúm. Existe agora o Adaptador Feminino para Urinar em pé. Sim, um pedaço de cartão em cone que é colocado na entrada da xarabaneca e que permite às mulheres mijarem enquanto olham nos olhos de outra pessoa. Isto, meus amigos, vem redefinir toda uma existência milenar, baseada no pressuposto que o homem mija em pé e a mulher mija sentada. Muito provavelmente porque dessa forma consegue descascar batatas para o jantar , ao mesmo tempo que alivia a ervilha. Corremos o risco de entrar numa casa de banho pública, e , ao nosso lado, estar a mijar (em pé!) alguém que não possua um pénis ? Já diz o ditado "Quem não tem cão , caça com furão" , neste situação, é caso para se dizer , "Quem não tem pilão , mija p'ró cartão !!! "


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O Mineiro



É preciso acontecer uma desgraça do caraças, para o mundo se lembrar que existe um grupo de pessoas cuja profissão é trabalhar numa mina. Há quem lhes chame mineiros, eu chamo-lhes tarados sexuais. Pois é  meus amigos e minhas amigas, para mim o mineiro é um tarado sexual. Não há outra hipótese. Outro dia , aqui na rua, em conversa com amigos , desabafei o seguinte. "Adoro entrar naquele buraco quente e húmido, ir cada vez mais fundo dar umas marteladas até sair de lá todo encharcado". " Eh pá, és um tarado sexual pá, só pensas nisso e não sei quê" , disseram eles entre outras palavras e vocabulário que eu acho impróprio para um cabrão como eu, que prima por uma refinada educação do caralho. Estabelecendo um paralelismo - uma comparação mais fina, vá - os mineiros são gajos que acordam às 5h da manhã para se irem enfiar num buraco escuro, quente, húmido e onde não sabem o que vão encontrar lá dentro. Se Freud estivesse vivo e fosse , sei lá, comentador do jornal da TVI, aposto que ia achar imensa piada a esta situação dos mineiros do Chile, chamando-os imediatamente de putanheiros e donos de uma infância marcada pela sexualidade de um dos pais, ou ambos . . ou um dos pais e do cão da família . . . enfim, algo do género. O que eu acho estranho nesta história dos mineiros do Chile, é que sempre que eram filmados pelas cameras de televisão, eles faziam uma festa enorme, sempre em tronco nu e com um ar bastante alegre. Meus amigos, metam-lhes o Y.M.C.A  a tocar e atirem uns confetis pelo ar e estamos na presença da maior festa gay subterrânea de todo o mundo. 33 gajos suados num espaço de 50 m2 sem nenhuma distracção ? Basta ter olhos na cara. E no cu também, no caso deles.
Depois não me digam que numa mina com milhares de Km2 de superfície, calhou estar ali um espaço - até bastante acolhedor, só faltavam os tons rosa nas paredes - para o pessoal ficar 2 ou 3 mesitos. Para mim, eles são todos uma cambada de bichonas com o cio, cujo esfíncter dá mais saltos que o Nelson Évora no triplo salto e combinaram passar ali uma temporada agradável, digamos assim.
Até a cápsula de salvamento era gay. Parecia um supositório gigante. Aposto que eles ficaram confusos quando lhes disseram que iam ser salvos naquelas cápsulas. Um deles perguntou " Nosotros vamos dentro de la cápsula , ou es la cápsula que vai dentro de nosotros . ."
Conforme eles foram saindo, a cambalear, com dificuldades em movimentar-se, os médicos e os especialistas diziam que foi devido ao enclaustramento e ao espaço reduzido onde se encontravam. Não. Para mim essa não pega. Eles vinham todos com o mesmo andar da Cátia Escanchada do 5ºA, quando chegava a casa depois de uma 6ª feira de muito trabalho. Para a próxima vez que uma situação desta, com mineiros encurralados acontecer, não enviem medicamentos nem comida lá para baixo, mandem mas é um teste de gravidez e pílulas do dia seguinte!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Entrevista a José Socrates



IntimidadeS - Senhor Primeiro-Ministro, agradeço-lhe desde já a amabilidade e disponibilidade em ceder algum do seu ocupadíssimo horário para nos dar esta entrevista.
José Sócrates - Ora essa! Não tem problema algum, inclusive , eu até pus a Playstation na pausa por isso mesmo.
IntimidadeS - A sua grande meta eleitoral foi a educação. Acha que conseguiu melhorar o ensino em Portugal?
José Sócrates - Completamente, senão repare ; Eu próprio sou o exemplo disso. O senhor conhece mais algum chefe de estado que tenha tirado um curso sem precisar ir ás aulas? Eu quero implementar aquilo a que eu chamo de 'Ensino à la Planeta Agostini'.
IntimidadeS -  Como assim Sr.Primeiro-Ministro ?
José Sócrates - Nós fazemos as cassetes com a matéria em S.Bento e enviamos para casa dos alunos, evitando assim congestionamento nos transportes públicos de manhã e à tarde, poupando também nos elevadíssimos salários dos professores, etc.
IntimidadeS - Mas . . isso não vai deixar os professores no desemprego?
José Sócrates - Vai, mas antes eles que eu (risos). Bom, quer dizer,é uma medida em estudo ainda, tá a ver . . (ataque de tosse)
IntimidadeS - Bom, Sr.Primeiro-Ministro , outro assunto em cima da mesa é a criminalidade. Tem vindo a aumentar, sobretudo os roubos por esticão. O que tem a dizer sobre este assunto?
José Sócrates - Acho preocupante e bastante perigoso. Sobretudo para os ladrões que o praticam.
IntimidadeS -  Como assim ?
José Sócrates - Oiça, hoje em dia as pessoas não bebem leite, e sobretudo os ladrões que têm um dia a dia tão preenchido, não cumprem as suas necessidades diárias de cálcio. Isso torna-se perigoso quando eles roubam alguém por esticão, podem arranjar entorses, partir um dedo ou 2, o pulso ou até mesmo cair e fracturar o crânio . .
IntimidadeS - (Pausa) . . .
José Sócrates  -  Podemos avançar ? É que tou a ficar cansado sabe, e preciso fazer uma sesta como o meu grande amigo e quase irmão Hugo Chavez. Isto de não se fazer porra nenhuma cansa.
IntimidadeS -  Por falar em Hugo Chavez , como é a vossa relação ?
José Sócrates - Porreira pá ! É um grande diplomata, uma excelente pessoa, alguém em quem eu tenho uma estima enorme, e como já referi , para além de um grande amigo, um irmão.
IntimidadeS - Hugo Chavez disse há pouco tempo que o Magalhães tinha tanto de grande como de bom, como reage a esta afirmação ?
José Sócrates - Esse filho da puta desse Hugo Chavez, um ditador, um tirano, um aldrabão, não se pode confiar em nada do que ele diz, um bandido dos tempos modernos.
IntimidadeS - Mas , e passo a citar "José Sócrates es un grande hombre, un líder e tambien muy guapo"
José Sócrates - (Pausa) . .  Como já referi, é um homem como há poucos, uma pessoa de palavras sábias, um grande abraço para ti Hugo . . .
IntimidadeS - Sr.Primeiro-Ministro , fala-se que o senhor é homossexual. Pode-nos esclarecer a sua orientação sexual?
José Sócrates - Não gosto de falar nisso, mas de uma vez por todas, vou acabar com a dúvida. Eu sou trissexual.
IntimidadeS - Trissexual, como assim ?
José Sócrates - Meu caro amigo, não sou nem homossexual, nem bissexual, nem heterossexual, sou um misto de tudo a que eu chamo de Trisexual. A prova disso é a seguinte : você já viu que em meia dúzia de anos eu consegui foder mais de 10 milhões de pessoas, homens e mulheres ? Nem o Don Juan !!
IntimidadeS - estou de boca aberta, não sei que dizer . . 
José Sócrates - É melhor fechar então, não vá entrar aí a mosquinha Zé Zé (riso maléfico)
IntimidadeS - Para terminar, o sr entra todos os anos na meia maratona de Lisboa. É um gosto seu ou é só para cair nas boas graças do povo ?
José Sócrates - Gosto o caral. . .  o tanas ! Acho que eu gosto de correr quando tenho um Mercedes topo de gama com motorista à porta? Eu tou é a treinar para o futuro !
IntimidadeS - Treinar para o futuro ? Peço imensa desculpa mas não percebi . .
José Sócrates - Oiça, eu ali corro à frente de 2 a 3 mil pessoas. É só um treino para quando o orçamento de estado for chumbado, aí vou ter de correr à frente de 10 milhões que me querem matar !
IntimidadeS - Sr.Primeiro-Ministro, agradeço-lhe imenso o tempo que lhe tomamos, vou deixá-lo ir para o seu . .  hummm . .  trabalho ?!
José Sócrates - Ora essa ! É sempre um prazer poder esclarecer os portugueses em tudo o que eu faço para os prejudicar, desculpe, ajudar, quero eu dizer. Agora vou acabar o meu joguinho de futebol na Playstation, tou a ganhar 3-0 ao intervalo.
IntimidadeS -  Mas Sr.Primeiro-Ministro, Espanha 3x0 Portugal. O sr está a jogar com a Espanha ?!?
José Sócrates - Han ? Bom, quer dizer . .  (pausa) . . . enfim não é, tá um bonito dia . (pausa) . . . . oiça, se isto ficar entre nós, que me diz a uma isençãozita de impostos durante 2 anos, hãn ?


domingo, 10 de outubro de 2010

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Que Estoy Haciendo Aqui ?!



Todos nós temos aqueles momentos absolutamente anormais em que reflectimos sobre tudo e, especialmente, sobre nada, como é o meu caso em particular. Pois bem, estava eu ontem a tratar de uma situação, quando de repente, mas mesmo de repente -  tipo aqueles peidos que um gajo não está à espera nos cagam até as meias - me veio uma pergunta à cabeça : O que é que eu ando aqui a fazer neste mundo ? Foi nesse momento que eu tomei uma atitude e disse à prostituta para sair de cima de mim que eu tinha mais que fazer do que estar ali a brincar aos yô-yôs genitais. Ela não me pareceu muito chateada, aliás, lembrem-me de nunca mais pagar adiantado, um gajo fica sempre mal servido. Adiante minha gente. Onde é que eu ia? Ah, já sei ! Qual o meu propósito nesta vida. Pois bem, aí está uma pergunta mais difícil do que tentar perceber o que é que se passa com o cabelo do Jorge Jesus. Às vezes vou na rua e as pessoas dirigem-se a mim e perguntam-me "Oh Rui, tu que és um ser intelectualmente superior e extremamente atraente, diz-me o que é que andas aqui a fazer perdido" , outras dizem "Tu que és tão belo que fazes com que o Adónis se pareça com o José Malhoa, porque é que não vais para Hollywood e tiras o lugar ao feioso do Brad Pitt? " ou ainda, e especialmente as mulheres de seios avantajados e com bocas que dão para o enfiar de lado, "Eu pago o que tu quiseres, 5 mil, 10 mil, 100 mil e um prato de moelas para teres um filho comigo" . Obviamente e como uma pessoa de príncipios que sou , não me vendo, se bem que o prato de moelas ainda me faz abanar um bocado. Quando a vida me corre mal, o que também não é sempre, é só 24h por dia, 366 dias por ano, todos os anos. Sim, mesmo nos anos que não são bissextos, tenho um dia a mais só para me atazanar a cachimónia. Será que eu estava melhor dentro da minha mãe ? Provavelmente sim, o problema era que a pobre coitada ia andar à rasca das costas e das articulações para carregar um marmanjo como eu lá dentro, ao fim ao cabo, não sou filho de nenhum canguru. Tentei durante uns tempos divertir as pessoas, os amigos e família e até desconhecidos. Comecei a jogar futebol no clube lá do bairro. Missão cumprida. Cada vez que tocava na bola, o pessoal nas bancadas ria-se à gargalhada. Troquei as bolas de futebol pela bola vermelha do nariz dos palhaços. Durou pouco tempo, ao fim de uma semana no circo, um tigre chamado Castelo Branco ( ?!) abocanhou-me tintins e levou-me metade do Tom Tom para coordenadas incertas. Após 4 operações, tava como novo. Ficou tão bonito que me convidaram para a indústria porno a ganhar 50 mil aérios por filme. Até então, a única industria que me tinha chamado era a metalurgica onde trabalhei 3 anos a ganhar 400€ por mês. Para variar, fui despedido dos filmes porno. Motivo : aparecia para trabalhar com o equipamento amarrotado, diziam eles. Meus amigos, nunca viram o cão da 5 à Sec ?! Mais amarrotado que aquilo é impossível e toda a gente o acha fofinho e lhe quer fazer festinhas. Bom, adiante. Liguei para um anúncio no Correio da Manhã e tornei-me modelo fotográfico de . .  orelhas. Sim, orelhas. Fiz uma campanha para hastes de óculos em que só apareciam as minhas orelhas. Ganhei a alcunha de "Dumbo" , ainda hoje não percebi porquê. Uma vez um fulano na rua, perguntou-me o nome , Dumbo disse-lhe eu. Na manhã a seguir estava a pilotar um avião Jumbo 747. Eu que nem carta tenho e piso em média, 7.4 cagalhões de cão por dia. Como é óbvio, deu buraco. Ao certo não sei que merda é que fiz. Sei que depois de ver as chamas, as mascaras a caírem e ouvir o BBUUUUUMMM , não me lembro de mais nada. Aliás, era isso mesmo que eu estava a contar aqui a este senhor de barbas, muito simpático por sinal, chamado S.Pedro, que me vai apresentar a um carpinteiro qualquer que manda numa discoteca chamada 'Heaven'. Com a sorte que tenho, ainda levo uma carga de porrada dos seguranças que até fico nas nuvens . . .

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A Japonesinha



Nunca fui um mestre do engate. Ao contrário do que a maioria do mulherio pensa, até certa fase da minha vida (até ontem, mais coisa menos coisa) eu era um gajo bastante aparvalhado. Para aqueles que estão p'rai a dizer "Ah mas parvo ainda és" , sim, têm toda a razão e como contra factos não argumentos, vou meter a viola no saco e calar-me. Até certa fase da minha vida, a única gaja que eu tinha comido chamava-se Maria e era uma bolacha. Entrei então numa fase da vida em que quis provar aos meus amigos que conseguia engatar uma gaja sem ser a pagar. Curiosamente e por estranho que pareça, dei a essa fase o nome de Provar aos meus amigos que conseguia engatar uma gaja sem ser a pagar.  Que melhor sítio para engatar que o Rossio a meio da tarde ? Sentei-me na esplanada da Pastelaria Suiça e começei a apreciar o desfile. Vi passar galdérias, senhoras sérias, galdérias, outras que por acaso eram galdérias e acreditem ou não, até galdérias vi passar. A certa altura, algo me chamou a atenção. Parecia o Bruce Lee mas com um par de mamas. Era uma jovem japonesa, chinesa, filipana , o raio que a parta, mas mais gira que uma nota de 500€. Provavelmente uma estudante, pois estava carregada com uma mochila e duas malas. A certa altura, e precisamente quando ela passa à minha frente, deixa cair uma mala no chão. Rapidamente me levantei, apanhei a mala da jovem e dirigi-me a ela. "Desculpe, mas deixou cair uma mala" , sendo que ela me dá uma bofetada na tromba e me responde " Eu mamá-la ??? Seu ordinarão !!". Foi amor à primeira chapada. Sentou-se na minha mesa e pediu um Saké. Mal ela sabia que mortinho por sacá-lo para fora tava eu, mas enfim. "As pessoas perguntam-me sempre porque é que eu tenho os olhos em bico" dizia ela. "Oh filha, os olhos não sei, mas o bico é só dizeres . . " , pensava eu para os meus colh.. botões! Resultado: fomos para casa dela. Casa, é como quem diz. Aquilo era tão pequeno, que para ser um T0 tinha de ter mais 3 ou 4 divisões. Começei a ficar nervoso. Como é que se come uma japonesa ou uma chinesa ou lá o que ela era? Será que se come com os pauzinhos ou um gajo pode lá ir com as manápulas? "Queles comel-me agola ?" dizia ela. "Oh filha, vira p'ra cá o sushi que eu como isso mesmo crú !" disse eu naquele tom educado e respeitoso que vocês já conhecem. A rapariga já gritava por todo o lado - Nagasaki !! Hiroshima !! , dizia ela momentos antes de eu soltar a bomba atómica. Isso é que foi uma alegria , era arroz chao-chao por todo o lado, nunca tinha visto uma coisa assim. Já diz o outro , se não lhes consegues ganhar, junta-te a eles. Foi o que eu fiz, e de que maneira . . .

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O Gajo Dos Conselhos



Isto pode parecer um bocado estranho vindo da minha pessoa, mas houve em tempos na minha rua , uma pessoa que era quem dava os conselhos aos outros. Quando alguém precisava de um conselho, lá ia ter com essa pessoa. Quem diz um conselho, diz uma pergunta, uma ajuda, enfim, de tudo um pouco. Por íncrivel que pareça, essa pessoa era eu. Como vozes de burro não chegam ao céu, aluguei uma cave e abri o meu negócio. A minha primeira cliente foi a D. Odete. A D. Odete era uma senhora tão gorda que eu costumava dizer que ela tinha um corpo de sereia : metade mulher, metade baleia.  Ela sentou-se e dise-me que não sabia o que fazer, que passava a vida a comer chocolates e que o chocolate engorda. "D.Odete , o chocolate não engorda, quem engorda é a senhora", disse-lhe eu num tom à Dr.Phil. Ela sacou de um pacote de M&M's e foi embora a chorar. Uma vez apareceu-me um senhor chamado Maomé - como o profeta - que tinha um problema para eu resolver. "Os incêndios queimaram a minha casa nas montanhas e agora não tenho onde viver, o que é que eu devo fazer" , disse ele com a lágrima no canto do olho, como o Bonga. "Meu filho, se Maomé não vai à montanha . . . . . . então vai á praia!".  Ouvi dizer que hoje em dia o Maomé vende cornettos na Costa de Caparica.
A clientela não parava, e eu decidi fazer um upgrade ao estaminé. Aluguei as águas furtadas e começei a fazer sessões de espirita às 4ª's feiras à noite, a seguir aos jogos da Liga dos campeões. Em vez de bola de cristal que são caras p'ra caraças, comprei uma bola da Adidas. Como lá em cima é ventoso, quando vinha uma rajada de vento e as janelas batiam, a malta ficava maluca. "Ai ai são os espiritos que aí vêem" dizia a malta assustada. "Só se for o espirito da pneumonia, tá aqui um frio do caralho, foda-se", dizia-lhes eu levantando as sobrancelhas para dar um ar de possuído - foi algo que eu vi nos videos do canal 18. Arranjei uma secretária para dar mais credibilidade. Obviamente que escolhi uma chamada Monica. Por acaso tinha umas grandas mamas, o que era bom porque não precisava de bandeja para me trazer o café. Um dia à hora de almoço, bate à minha porta - de todos os sitíos onde ela me podia bater, este era o menos engraçado - e diz " O senhor hoje não vem?". "Oh Monica Levó Whisky, tanto que vou que podes levar esse vestido azul para a lavandaria que já fez nódoa". Mas como tudo o que é bom acaba, a não ser que tenhamos Viagra, o negócio foi por água abaixo. Parece que, infelizmente, as pessoas seguiam os meus conselhos e acabei por dar cabo da vida de muita gente. 126 pessoas, segundo o Juíz Carlos da Silva. E como um homem não vive só de pão, também precisa da manteiga, dediquei-me aos assaltos. Fui preso logo no 1º. Aliás, fui preso antes do 1º assalto sequer. Entrei na sede da Caixa Geral de Depósitos, de fatinho e gravata, perfeitamente disfarçado com uma mascara do José Socrates. Assim que o segurança me viu começou logo a gritar "LADRÃO , LADRÃO !!!". Quando a vida tá má, temos que nos agarrar a qualquer coisa. Como eu costumo dizer, 'Para quem se está a afogar . . . . jacaré é tronco" .

domingo, 12 de setembro de 2010

Granda Maluco , Oh Zé ! !



Todos temos as nossas pancadas e manias. Uns gostam de entrar com o pé direito nos sítios, outros gostam de entrar com ele direito lá no sítio. Uns gostam de fazer cumprir a lei, outros acham que por lei, ele devia ser comprido. No meu caso, dêem-me um chicote e um lubrificante com sabor a morango, tipo os gelados da Häagen-Dazs® , e sou um gajo feliz p'ra caraças - caraças sim, tou a frequentar aulas de boas maneiras e já não digo palavras como caralho. O meu amigo Zé era conhecido por ter uma pancada bastante estranha. E perguntam vocês onde é que o Zé era conhecido ? Pois bem, na minha rua, tá claro ! O Zé é mais uma daqueles personagens tiradas de um filme de Low Budget. Convém esclarecer que ele não se chama Zé. O nome verdadeiro dele é Leonel, mas como já havia um Leonel lá na rua, o pessoal começou a chama-lo de Zé para ser mais fácil. Durante uns tempos ainda foi o Leonel 2, mas quando ele se apresentava às garinas , rapidamente se apercebeu que a coisa não ia ter lá muito sucesso. "Olá, sou o Leonel 2, vamos beber um café?" , "Desculpa, prefiro conhecer o Leonel 1". Enfim, coisas de gaja. Bom, mas o que interessa aqui é que o Zé tinha uma pancada, como começei por mencionar. A pancada dele era . . o verde; Passo a explicar. Zé era fanático do Sporting - Ah granda Zé - daqueles que só há 1 em 10 biliões. Segundo me contaram, os seus pais fizeram-no durante um Sporting-Benfica, em pleno estádio, no intervalo, por debaixo da bancada central, na casa de banho nº2, na retrete do canto. Era o único na rua que tinha uma casa toda verde, no meio das arvores,  tinha um Peugeot verde (por causa do simbolo ser um leão) e injectava todos os dias corantes no sangue para  mudar-lhe a cor. Uma vez lá no café da rua, a abrir um pistachio cortou um dedo e fez sangue. Desmaiou logo. Não por causa da dor, mas porque viu algo vermelho a sair de dentro dele. O Zé tinha rinite alérgica, e às vezes no Inverno andava . . como hei-de dizer . .  com a langonha a escorrer pelo nariz abaixo - Ok, não era o rei do asseio, não senhora - e ficava extremamente ofendido quando lhe diziam "Oh Zé, tens o pingo a cair do nariz" . "Um sportinguista tem de ter orgulho no ranho verde que sai do seu nariz" , dizia ele . Usava uma foto do Eusébio para jogar às setas no seu quarto e, de tão fanático que era, só comia carne quando esta estava a ficar esverdeada. Obviamente que não comia carnes vermelhas. Recusava-se a passar pela 2ª circular e eliminou a zona de Benfica do seu GPS. Segundo ele, o Sporting devia vender os seus melhores jogadores ao FC Porto só para estes terem melhores condições de ganhar ao Benfica. Quando dava a bola, o Zé entrava em estágio. 2 dias antes de um derby, ninguem podia sequer falar com ele. Uma vez fui jantar com ele em dia de bola. Ele estava tão concentrado e obcecado a ver a bola que comeu o guardanapo e no fim limpou a cara ao bife. Ele era tão fanático que deu aos filhos o nome de João Pinto e Jardel. Por azar, teve 2 filhas. Já ouvi dizer que tanto o Jardel como o João Pinto têm um granda par de mamas. Disse que ele era fanático, porque o Zé já nos deixou. Normal , se tivermos em conta que ele tomava Viagra só para ter mais um sitio onde pendurar os cachecois do Sporting. Dizem as más linguas que, em tempos, tatuou uma bola na nadega esquerda e a cara do jardel na direita. Ao que parece, sempre que contraía as bordas do cú, o Jardel enfiava-a no buraco. Hoje em dia, Zé tá enterrado por baixo da bancada central de Alvalade, mesmo ao lado dos contentores do lixo. Na sua lágide podemos ler " Mais vale uma derrota do Benfica do que uma vitória do Sporting".


P.S: Pelo que que tenho visto hoje em dia, o coitado do Zé deve andar aos saltos no caixão . . .

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A ida às Put... Prostitutas !



Tá um calor do catano. Pronto, esta foi a parte sã e quiçá, verídica da história. O que se segue abaixo, é um brutal descalabro de lascívia - ou lixívia , em homenagem às senhoras da limpeza - pornografia abaixo de amadora e ovos kinder para os mais novos. Bom, quando eu era um jovem esbelto e charmoso, ao invés do traste velho que sou hoje em dia, e tinha como hobbie comer gelados, chupar Calippos - hoje em dia tenho quem faça isso por mim - a vida era bela. Juntava-me com a miudagem a brincar na rua ao bate pé - acho que não preciso explicar a ninguém o que isso é ! Olha , rimou - ao berlinde , à bola etc. À noite, procurava pornografia na net. Ás vezes ao fim da tarde também, mas isso era só quando não dava o Dartacão. Como qualquer criança, eu ficava fascinado com aquilo. Parecia um bêbado a olhar para um copo de vinho ; O José Castelo Branco a olhar para um soutien ou o George Michael quando vê uma casa de banho pública, ou pûbica, como queiram. Lembro-me que olhar para aquelas mulheres, era basicamente como conduzir um Ferrari , um gajo só sabe a sensação quando está dentro de um. E assim foi. Combinei com 3 amigos e fomos a uma casa de meninas. Entramos num táxi.
- Boa noite, é pr'a onde?
- humm . . nós queriamos . .  tipo . . . não sei . . um sitio para . . . sei lá, beber um copo?
- Ah, querem ir às putas ?
Pronto, lá chegamos. Sentamo-nos nos sofás bordeaux e pedimos 2 gasosas a dividir pelos 3 - meus amigos, o sexo não é barato e nós tinhamos de poupar as mesadas. Fizemos cara ou coroa para ver qual de nós ia ser titular e subir ao relvado. Ganhei eu. Escolheram eles a moçoila que me ia acompanhar. Eu subi para o quarto e sentei-me na cama. Ao lado da mesa de cabeçeira estava uma enorme botija de oxigénio com mascara e tudo. Aquilo fez-me um bocado de espécie, mas o cheiro a mijo seco de há 4 dias rapidamente se apoderou do meu cerebro. De repente a porta abre-se. Entra um vulto. "Olá fofinho", diz ela. "Olá como está, passou bem?" , digo eu num tom respeitoso e educado, tal como fui ensinado. A senhora despe-se toda ficando com os marmelos e com a pintassilga de fora, vira-se para mim e diz agressivamente "Anda cabrão, rebenta-me a bilha toda". Achei aquilo de mau tom, já para não dizer desagradável e sem educação, mesmo assim respondi à altura. "Desculpe mas a minha mãe não me deixa mexer em bilhas de gás, diz que são perigosas e que podem rebentar". Ela baixa-me as calças e num ápice me apercebo que aquela senhora que ali estava, ainda consegue gostar mais de Calippos do que eu. Enquanto ela comia o seu gelado, tive que perguntar "Peço imensa desculpa de interromper, quem sou eu para atrapalhar, mas para que serve aquela botija de oxigénio?". Naquele preciso momento, ela manda-me para a cama e atira-se para cima de mim como se fosse o Rui Patrício a tentar apanhar uma bola - atenção que eu disse Tentar, não disse Conseguir . Assim que ela se sentou no selim da bicicleta, eu percebi o porquê da botija de oxigénio. A madame Calippo devia pesar uns 225kg. Foi quase como ter a parte da frente de um autocarro em cima de mim. Meti a mascara nas ventas e bora nessa, Vanessa! À medida que a senhora se entusiasmava, e cavalgava freneticamente num puro sangue lusitano, a coisa foi ficando , digamos, foneticamente estranha.
Pumba !! Catrapumba !!! Pumba !! Catrapumba !!! ,dizia ela constantemente. Achei aquilo de mau gosto, até porque nos videos que vejo em casa nunca tinha ouvido tais frases, talvez por tirar o som para a minha mãe não me apanhar. Não aguentei e tive que lhe fazer um reparo. "Peço imensa desculpa outra vez, mas penso que a linguagem que está a utilizar é desapropriada para a situação. Se desejar, posso-lhe dar uns óculos e um livrinho e a senhora dá um vista de olhos a ver se lhe consegue apanhar o jeito, não se importa?" . Ela parou e riu-se. "Oh fofo, veste-te, o meu trabalho aqui já tá feito", disse ela, seguido de " PRÓXIMO , SENHA 43 POR FAVOR !! ". Olhei para baixo e percebi o que ela queria dizer. Fiquei um bocado desiludido, ao fim ao cabo, foram os 16 segundos mais estranhos da minha vida . . .

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Lady Lambisgoia



1780, mais ano menos ano. Local : França. Ao certo não sei dizer, na altura não havia GPS, mas seria algures entre o Norte e o Sul daquele país. Reza a história que viveu por esta altura , uma jovem proveniente da realeza francesa de seu nome Lady Lambisgoia. Esta jovem teria entre os 16 e os 26 anos - não sou lá muito bom com datas e números - e era filha do Rei de França, Louis XXXXXXIV . Tal como qualquer princesa que se preze, Lady Lambisgoia não fazia porra da vida. Tinha quem a vestisse, quem a lavasse, tinha quem lhe desse a comidinha à boca - calma, já lá vamos - e até tinha quem lhe fizesse a depilação genital, digo eu. Usava uma peruca branca de 40 cm - muitos homens davam a vida para terem metade dessa peruca - e tinha aqueles vestidos compostos por cintas, espartilhos e segura mamas . Perdão, soutien, como dizem os franceses. Nunca percebi porque é os usavam, metade da mama ficava de fora ao pendurão, mas pronto, até fica giro de ver e tal, um gajo não reclama. Bom, voltando ao que interessa; Lady Lambisgoia gostava de passear pelos jardins do Palácio logo pelo fresquinho da manhã. Isto porque, segundo ela, adorava sentir a brisa fresca e o orvalho - que rima com a palavra preferida dela, mas já lá vamos - a subirem sorrateiramente pela sua saia adentro, até chegarem à sua real xarabaneca. Ah, esqueci-me de mencionar um pormenor : Lady Lambisgoia era doida por alheiras genitais, daquelas carnudas e com pescoço. Era ela que escolhia os jardineiros do Palácio. Não seria de estranhar que tinham todos entre os 18 e os 30 anos e com corpos esculturais que ela fazia questão de meter a unha. Uma das histórias que se conta nos corredores do Palácio é de que, certo dia, estava o jardineiro a tratar da relva, quando Lady Lambisgoia se aproxima por trás e num rápido gesto à pistoleiro do Oeste, saca do dedo mindinho e lho enfia no cú.
- Aiiii !! Minha senhora, que estais fazendo ?
- Estou-vos a medir a temperatura meu esbelto serviçal.
- Mas . .  não precisais de um termómetro para isso ?!?
- Han ?! Ah, pois, sois capaz de ter razão. Não quereis tu tirar-me a febre com o teu termómetro genital ?
E assim foi. O pobre coitado, que até tinha trabalho a fazer, lá teve de desenrascar a Lady Lambisgoia e , segundo contam, enfiou-lhe o termómetro em tudo o que era orificio do corpo, tal era a febre da pobre coitada.
30 minutos depois . . .
- Senhora, estais satisfeita ?
- Sim, amanhã volto cá à mesma hora para me dares com o remédio de novo.
Era assim todos os dias. Tudo o que era criado do Palácio tinha que passar na inspecção. Uma vez foi apanhada a comer na cozinha. A comer  . . o cozinheiro. O probrezinho estava na sua labuta, a preparar um leitão para o jantar, quando Lady Lambisgoia se chegou ao pé dele, fez-lhe aquele olhar como se fosse um bebâdo a olhar para um copo de vinho e lá vai disto. Foi cozinheiro, foi o leitão , foi tudo. Se Lady Lambisgoia era ninfomaníaca ? Naaaaaa , acho que tinha era muito tempo livre e era grande apreciadora de chouriço. Até porque na altura não havia isso de ser ninfomaníaca, era puta e acabou-se. Muitas vezes ia dar uma voltinha na sua bicleta sem selim e de preferência para terrenos irregulares, com muitos altos e baixos. Terá sido pioneira nas 2 vertentes daquilo a que hoje chamamos de BTT ; Broche às Três Tabelas e Bicicleta Todo Terreno, para os mais púdicos. Andava sempre acompanhada de um bengala enorme, 1.50mt p'rai. Dizia ela que era para coçar o esofago, mas tambem há quem diga que foi o primeiro clister a ser inventado. Enquanto o resto da corte montava a cavalo, ela gostava mesmo era de montar O cavalo, por isso se dizer que os cavalos do Rei eram os mais alegres do país. Pudera!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O Teste de ADN



Há algumas semanas, estava eu a fazer a única coisa que até à data sei fazer bem - dormir - quando de repente, me tocam à porta de casa. Fiquei na mesma, pensei que era um sonho. Repete-se a situação e oiço novamente o barulho da campainha MUUUUUUUU - alterei o som original para o som de uma vaca , chamo-lhe Tuning portal - e aí estranhei, pois nos meus sonhos nunca ninguém me tocou à porta, por norma tocam-me ao bicho. Levantei-me meio assarapantado e estremecido. Quando cheguei à porta, voltei para trás e fui ao W.C . Porquê ? 3 palavras : Tesão do Mijo. Finalmente abri a porta e vi um individuo de cabelo comprido, barba por fazer, tatuagens  no braço. Pensei logo que era um fiscal das finanças, ou uma testemunha de Jeová. "Bom dia" , diz-me ele. "Depende, o que é que quer?" , disse-lhe eu num tom masculino, numa mistura de timbre do Olavo Bilac e do Paulo Gonzo. "Desculpe, mas o senhor é meu pai". Achei a coisa estranha. Eu nem sou gajo de ver muitas telenovelas, mas sei que existe uma introdução tipo desculpe, a minha mãe morreu e deixou uma carta com o seu nome e morada e eu vim ter consigo, seguido do sempre comovente paizinhoooooooooooooo. Pronto, aquelas tretas do costume. Não me desmanchei e respondi logo " eh pá, vocês das finanças estão sempre a inventar coisas novas para tramar um gajo, porra!". Pensei que o tinha arrumado, quando ele se vira e diz "não , sou mesmo seu filho". Pronto, aí a coisa mudou de figura e comecei a acreditar, até porque fui ensinado que as crianças não mentem. "Então prova que és meu filho, que eu tou cheio de sono e quero ir dormir", disse-lhe eu. "Ok, olhe-me bem nos olhos , tá a ver esta parte branca à volta da irís ? você também tem essa parte branca!! Paizinhoooooooo !!!". Contra factos não há argumentos. Obviamente e como é de calcular, fiquei extremamente aborrecido com a situação. Eu que estava a contar dormir até as 3 da tarde, fui acordado às 7 da manhã por um pseudo filho. Não se faz, pelo menos antes do meio dia não se reclama paternidade a ninguém, é falta de educação. Perguntei-lhe a idade, ele respondeu 60 anos. Achei estranho o meu filho ser 30 anos mais velho do que eu, mas enfim, há tanta coisa estranha que não passei grande importância. Fomos tomar o pequeno-almoço. Pedi uma torrada e um garoto p'ro miúdo. "Uma mini e um prato de tremoços oh chefe", disse ele. Achei mal. Ao fim ao cabo, fui ensinado que as crianças precisam de beber leite para crescerem fortes e saudáveis. Fomos para casa para nos conhecermos pior - sim, porque melhor não era de certeza. Pensei em ligar a PlayStation, todos os miúdos gostam de jogar. Ele disse logo que não, que a onda dele era jogar à malha e às cartas com os amigos no jardim. Chegou a hora de almoço. Pensei em fazer uns douradinhos do Capitão Iglo, os miúdos costumam gostar dessas coisas. Depois de tomar mais de 25 comprimidos, ele diz-me " Não posso comer carnes vermelhas por causa do ácido úrico nem molhos por causa do colesterol. Doces nem pensar senão disparam-me logo os diabetes e coisas salgadas ou picantes tão fora de questão, o meu médico já me disse que tive muita sorte em ter escapado a 3 enfartes e 4 AVC's". "E um copinho de água bebes?" , disse-lhe eu. "Só se for do Luso e destemperada, água muito fresca parece uma faca a espetar-se nos 2 dentes que ainda me sobram na boca". Chegou a altura em que pensei que , já que tinha que assumir este velho baboso como um recém nascido, mais valia saber sei lá, tipo . . . . quem era a mãe dele ?! "A minha mãezinha é a Cesária Évora, a cantora" . Pronto, tá explicado o porquê de ter uma cara que mais parece ter sido atropelado por um comboio 4 vezes seguidas, puxou à mãe. Mas, como podia ele ser meu filho se nem sequer 1 CD eu comprei da mulher, quanto mais fazer-lhe cocegas na pintassilga. "Ah , hummm ... se calhar cruzaram-se no Colombo e tu espirraste-lhe para cima e ela engravidou" . Cheirou-me a esturro e não era da panela que estava ao lume. Comecei a pensar que ele me queria enganar. "Olha lá , para que andar é que tu querias tocar ?" , perguntei eu, "4º B, porquê paizinho?" , "Oh meu grandessíssimo camelo, porque eu moro no 4º D, minha granda besta quadrada". "Ah desculpe lá então, foi engano, boa tarde". . .





P.S: Continuo a achar que era um fiscal das finanças. Ou uma testemunha de Jeová.

sábado, 21 de agosto de 2010

Gina , A Ginecologista



Que me perdoem todas as Ginas, mas para mim, Gina rima com vagina. Ponto final. Não tenho culpa. Se calhar para alguns, Gina rima com bacalhau ou com alheira de Mirandela - para mim rima com vagina. Gina era a gaja que morava no ultimo andar do prédio à minha frente. Digo 'gaja', porque nunca a vi como uma senhora. Ia todos os dias para o trabalho vestida de cabedal da cabeça aos pés, e montada na sua Harley Davidson. Quem não soubesse, diria que ia para alguma daquelas festas de Sado-masoquismo, só faltava mesmo o chicote. Mas não, Gina era ginecologista. Reza a história que, desde pequena, o seu sonho era ser mineira tal era o fascínio por grutas, cavernas, minas etc, mas como é uma profissão de risco, Gina terá optado por uma profissão semelhante, onde igualmente pode explorar grutas, cavernas e buracos diversos.  Cheguei a ver a Gina na praia, era uma mulher como tantas outras , embora fosse a única com a marca do relógio no cotovelo. Mas isso também não interessa nada para o caso. Sempre pensei que a profissão de ginecologista fosse destinada aos homens. É normal um gajo trabalhar naquilo que mais gosta. No caso da Gina, a coisa também não era muito diferente - ela era bastante lésbica . O que é facto é que o mulherio adorava-a como médica. Umas  diziam que ela tinham umas mãos de ouro e que não sentiam nada quando ela lhes fazia os exames, outras diziam que ela tinha uma língua de ouro e que sentiam tudo o que ela lhes fazia, graças a Deus, diziam elas .Enfim, opiniões. Cá para mim acho estranho uma pessoa passar o dia inteiro a olhar para um buraco de onde sai mijo, sangue e de quando em vez, pessoas de dimensões reduzidas, também chamadas de bebés. Gina era daquelas à moda antiga , não usava luvas porque segundo ela, "o látex faz-me alergia na língua". Aliás, a profissão de Gina era a ideal. Passo a explicar. Gina morava com os pais, um casal reformado que tinham entre os 85 e os 185 anos -  sou um bocado mau para adivinhar idades - e por várias vezes, no calor da coisa e tal, ela entusiasmava-se e levava uma namorada para casa. Como pessoas de tradições, os pais não achavam piadinha nenhuma, mas sempre que abriam a porta do quarto e lá estava a Gina escarrapachada em cima da outra, ela dizia muito calmamente " tive um dia tão preenchido que acabei por trazer algum trabalho para acabar em casa" . Uma coisa que sempre me fez uma confusão do catano, é o Papanicolau. Eh pá . .  Papanicolau ?!? "Querido, hoje vou chegar mais tarde , vou fazer o Papanicolau" . Vem-me - desculpem, má escolha de palavras - Surge-me sempre a ideia da igreja  e dos Papas à cabeça. Papa João Paulo II , Papa Bento XVI , quer dizer . . . agora, Papanicolau ?? Acho mal, até porque corta logo as pernas a um gajo que queira ser Papa um dia mais tarde, e se chame Nicolau, não é ? É má onda, não tou a ver a Igreja Católica permitir que haja um Papa com nome de exame à rata , não tou a ver, pronto. Às vezes ouvia a Gina no café a falar com as mulheres lá da rua , " Não se esqueça, tá na altura de fazer o seu Papanicolau , todo o cuidado é pouco". Mas que raio de exame é este que consiste em arrancar um naco da pachacha e pô-lo num frasquinho no frigorífico ?? Ainda bem que não existe Papanicolau para os homens, senão eu tava tramado, já viram o que era se todos os anos nos arrancassem um bocado da geringonça ??? Ao fim de meia dúzia de anos o bichinho sumia !! Será que os ginecologistas são tipo psicopatas que põem os restos nos frascos e depois lhes dão nomes de pessoas, falam com eles e os metem na mesa de cabeceira para não dormirem sozinhos ? Para mim não dava. Não fui feito para ser ginecologista. Só a ideia de trabalhar num sítio onde os outros se divertem, desanima-me. Não deixa de ser uma óptima desculpa para quando somos adolescentes e o pai da nossa namorada nos apanha com as cuecas na mão - pior ainda se forem as cuecas da filha - basta dizer " calma Sr.Silva , tou só a treinar para ser ginecologista" . Works all the time . . .

domingo, 15 de agosto de 2010

Azar do Caraças



Há dias em que mais vale um gajo tar quieto. Nunca fui muito de andar por aí, muito menos agora e principalmente depois do que aconteceu ao Sr. Lobato, o meu vizinho tetraplégico que foi recolhido pelo camião do lixo só por ter ficado com as rodas da cadeira presas num contentor . Actualmente tenho medo de ir à rua, mas tenho de arriscar senão morro à fome ou então de tédio por ter de gramar as novelas da Tvi. Esta semana até nem foi excepção; tinha planeado um almoço romântico cá em casa, já tinha passado no Mcdrive e os BigMaC's já estavam na mesa. A sobremesa, essa, iria ser servida no quarto. Ela chega e deu-se a bronca. "Olha o que eu trouxe para o nosso almoço" , pensando eu que estava a fazer uma coisa do outro mundo, ao que ela responde "não dá, vou ver o porquinho da índia de uma amiga". Meus amigos, aquilo caiu-me no estômago como se de uma feijoada azeda se tratasse. Que ela não quisesse almoçar, tudo bem . . que ela quisesse sair , ainda vá que não vá ... agora, trocar-me a mim, um verdadeiro porco português por um porquinho da Índia ?? Por amor de deus, quer dizer , um porquinho da índia ? Se ainda fosse um cão e tal, a gente chama e ele vem, e em cachorro todo o cão é giro, é tipo os chineses bébés , agora um porquinho da índia . . . meus amigos, um porquinho da índia é um hamster com esteroides ! Fico sempre na duvida se é um hamster gigante , ou um castor anão . .
Agarrei e fui almoçar sozinho , coisa que odeio pois dá a impressão de que sou um coitadinho que não tem ninguem para almoçar - não deixa de ser verdade, mas os outros não têm nada que saber . Armado em fino, fui comer uma sopa ; à primeira colherada, vi um objecto estranho a boiar .. mexi mais um bocado e o objecto veio ao de cima ; era um dedo. Tás bem que a sopa da pedra leva muita coisa, mas dedos ? Um deles até tinha um anel agarrado que dizia " XVI aniversário da liga dos tuberculosos " . Dirigi-me ao cozinheiro , "mas que merda é esta?? dedos na sopa??" , e ele, um chef francês ali da buraca , respondeu " tal como os actores gostam de deixar algo deles no papel que representam, tambem eu gosto de deixar algo de mim na sopa que faço" .. Mas porque é que ele não se dedica à agricultura e começa a deixar batatas e couves dele na sopa?
Saí dali e fui fazer um favor a um amigo meu:  ler uns textos meus e entreter um grupo de pessoas no local de trabalho dele . Quando eu esperava que o dia fosse piorar, não é que correu tudo às mil maravilhas ?! Público reservado, muito atento à leitura, não deram nem um pio durante aquela hora e meia que ali estive ; nunca mais me vou esquecer daquelas fantásticas pessoas que estão internadas na ala de doentes em coma no Hospital de S.José . Bem, tendo em conta que a ultima vez que eu tinha feito algo parecido, foi na Unidade de Queimados e as palavras mais ouvidas foram " METAM-ME NO FOGO, QUEIMEM-ME TODO OUTRA VEZ , MAS TIREM-ME ESSE CABRÃO DAQUI !!!" . . devo dizer que fiquei com a ligeira impressão que eles não gostaram muito de mim , mas se calhar sou eu com a minha mania da perseguição.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O Submarino



Portugal acabou de comprar 2 submarinos. O primeiro deles chegou recentemente e chama-se Tridente. Aqui começam os problemas. Se já é mau o suficiente dar nomes a submarinos, pior ainda é dar-lhe nome de pastilha elástica . Antes de mais nada, devo dizer que acho bastante idiota, já para não dizer estúpido, dar nomes a barcos, aviões, submarinos, seja lá o que for. A meu ver, para se ter direito a um nome, tem que se ter coração, pulmões e por aí adiante. Por algum motivo nunca vi uma pedra de calçada com nome. Porque é que não se chamam de submarino nº1, nº2, nº3 e por aí adiante ?! Depois surge-me a pertinente questão : Quem é o camelo que escolhe os nomes ?? Pela amostra , cheira-me que deve ser o mesmo brujeço que faz as espectaculares traduções dos títulos dos filmes que nós vemos no cinema. Are We There yet ? - Estás frito meu ! , Lost in Translation - O Amor é Um Lugar Estranho , são apenas alguns exemplos da fantástica e exacta ciência de tradução dos títulos dos filmes. Depois, há uma pequena e quase sem importância questãozita, que é a do preço dos ditos cujos. Mil milhões de euros foi quanto custaram. Para  mim faz-me um bocado de espécie alguém dar tanta guita por uma coisa que vai passar 99,9999% do tempo escondido e, ainda por cima, debaixo de água. Como bom português que sou, se eu gastasse tanto papel num bicho desses, fosse um submarino, um carro, um avião, tanto faz, acho que andava 24h por dia durante 365 dias - 366 nos bissextos - a pavoneá-lo pelas ruas. Até cagar eu cagava lá dentro. O submarino tem outra desvantagem, é que a agua dá cabo da pintura e as algas agarram-se de tal maneira que nem com um piaçaba - oh caraças, será piaça ??!? - aquilo sai. Ah, e se pensam que a merda dos pombos é irritante, experimentem passar por um cardume de baleias com problemas intestinais para verem o que é bom para a tosse. O que é chato, quer um gajo sair com os miúdos no fim de semana para ir dar uma volta de submarino , e mais parece que acabamos de entrar num supositório acabadinho de sair do olho do cu.
E depois há outra coisa que me faz cocegas no cérebro. Porque raio de carga d'agua é que nós precisamos de um submarino ?! Basicamente, comprar submarinos para Portugal, é o mesmo que comprar um carregamento de pentes para uma colónia de carecas. Até parece que vamos entrar nalguma guerra, quer dizer . A única coisa que nos poderiam querer roubar é o vinho, e nesse caso seriamos atacados por um país de bêbados com sede. Sem ser o Paulo Portas, assim de repente, não tou a ver mais ninguém com interesse na compra de um submarino. Até porque, sejamos sinceros, e tendo em conta a inutilidade e o preço dos bichos, não era muito mais práctico já que queriam pôr qualquer coisa nas nossas águas, comprar daqueles barquinhos insufláveis que por sinal são do caraças e bem mais baratos. Ainda no fim de semana passado comprei um desses para mim no Continente, aproveitei o desconto que tinha no cartão e comprei um do Spider-Man, embora me tenham ficado lá os olhos num do Mickey Mouse.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O Bombeiro



Achei por bem falar nos bombeiros. Esses senhores que têm o irritante mau hábito de mandar água para as fogueiras que nós, cidadãos conscenciosos, deixamos no meio das florestas para ajudarmos os bichinhos a ficarem quentinhos, especialmente nas noites quentes e secas de Verão. Se pela lógica, no Inverno falamos do Pai Natal, no Verão temos de falar no bombeiro. Para mim, o bombeiro é um gajo que veste de vermelho e não joga no Benfica. Possivelmente um daqueles que sonhava um dia vir a ser jogador da bola, mas o chamamento da outra bola -  a de Berlim - juntamente com o chamamento da cerveja, impediram que tal viesse a tornar-se uma realidade. Enquanto os outros jogam com as bolas, ele agarra-se à mangueira. Poderia neste altura, e já que introduzi a expressão agarrar-se à mangueira , mencionar o José Castelo Branco. Não o vou fazer e por um motivo muito simples - quero provar que as sessões de acupunctura e hipnoterapia estão a fazer algum efeito em mim, e que brevemente estarei curado. Bom, um bocadinho de cultura meus amigos 'Um Bombeiro é um profissional/voluntário que possui treino e equipamento adequado para apagar ou minimizar incêndios, resgatar pessoas em situação de perigo, salvaguardar bens materiais e ajudar e fornecer assistência nos desastres naturais e nos causados pelo homem'. E nos desastres naturalmente causados pelo homem, será que ele tambem safa a coisa ou nem por isso ? Adiante. O bombeiro é a profissão mais próxima de uma stripper que existe. Sim, ou pensam que eles descem por aquele varão quando toca a sirene porquê ? Depois, vão para temperaturas tão altas que fazem com que o interior de um micro-ondas pareça uma arca frigorifica. Como se isso não bastasse, eles próprios usam fatos que fazem de uma sauna uma brincadeira de crianças. Depois, o equipamento. Aqui é que a porca torce o rabo. Senão vejamos ; o objectivo do bombeiro é simples, ir p'ro meio do fogo e mandar-lhe agua. Ponto final. Para isso, têm equipamentos especificos, tipo Cânulas de Orofaríngenas, Esfigmomanômetro ou mochilas para Oxigenoterapia. Eh pá, eu já tou mesmo a ver a coisa , quer dizer . .
- Oh Carlos, já tou a ver o fogo, manda aí o esfig . .  figs . . .esguif . . . manôfgs . .
- Queres o quê ??? O Esfigmamanômetro ?!
- Caga nisso, já não é preciso, esta merda já ardeu toda.
Faltam termos mais practicos. Quem inventou o nome dos instrumentos, esqueceu-se que o objectivo é ajudar os bombeiros, não complicar-lhes a vida. Mangueira . . . mangueira é mangueira, não há como enganar. Depois há mais uma coisa que me faz confusão. Como é que os médicos conseguem mudar o sexo de uma pessoa ? Hãn ? desculpem, têm razão, perdi-me um bocado. O que eu queria dizer ainda agora, era que isso de ser Bombeiro Voluntário me faz confusão. Faz, que é que querem que eu faça. Um gajo ir pr'a lá obrigado já é mau, agora de livre e espôntanea vontade e sem ser sob efeito de alcool ou drogas, faz-me confusão, pronto. Tá um gajo sossegado em casa a ver a bola, lá tem de ir p'ro meio da rua -  às vezes com um frio do caraças - para apagar a porra de uma fogueira que um estafermo qualquer se esqueceu de apagar depois de ter comido uns 3 kg de febras no meio de Monsanto. Principalmente se não tivermos aquela box que dá para parar a emissão, é chato não é, um gajo arrisca-se a perder a montra final do Preço Certo. Por acaso, só por acaso, na minha rua havia um bombeiro. Era o Abel, mas a malta chamava-lhe de Bel, mais tarde passou a ser o Belzebu, numa clara alusão ao fogo e às chamas e tal. Bom, isto para dizer que um gajo depois de apagar mais de 10 fogos, fica xoné. O Belzebu não escapava à regra, não podia ver uma chama que tinha que a apagar logo. Como é obvio, ninguem se atrevia a fumar ao pé dele senão acabava encharcado. Ah pois é, detalhe importante : o Belzebu andava sempre com a mangueira atrás. Uma vez estava eu em casa a acender o esquentador com um fosforo - daqueles antigos, vocês sabem, não se armem em finos - quando, passados 5 segundos oiço tocar à porta. Fui abrir, era o Belzebu. Mandou-me com um jacto de agua nas trombas que me fez voar uns 5 metros p'ra trás, parecia o Michael Phelps a nadar de costas.

Moral da história : "Esquentadores Inteligentes Vulcano , connosco não leva mangueiradas no focinho"

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Carlota, A Velha Gaiteira



Carlota, ou Madame Carlota como gostava que a tratassem, era uma figura que me acompanhou ao longo do meu crescimento, tanto para cima como para os lados. Madame Carlota morava no cimo da minha rua - sim, no cimo, porque no fundo moravam os pobres - e era sem sombra de dúvida, uma das personagens mais intrigantes que por ali habitava. Madame Carlota era aquilo a que eu chamo de velha gaiteira. Ela tinha 2 gaitas ; uma de foles e uma de peles, que era a do marido. Nunca percebi muito bem o que é que ela fazia da vida, qual a sua profissão, sei que andava sempre bem vestida, meia mama de fora , longos cabelos loiros, baton vermelho mas mesmo vermelho, tão vermelho que quase aposto que gastava um batôn inteiro só para pintalgar as beiças. As unhas, essas, sempre impecavelmente bem tratadas mas tão grandes que faziam o deleite de qualquer agricultor que precisasse de uma enxada para cavar. Eu era miúdo, não percebia muito bem o que se passava . Alguns diziam que ela era bruxa, outros diziam que era prostituta; entre uma e outra venha o diabo e escolha. Pelo menos uma coisa é certa, fosse bruxa ou prostituta, de bolas percebia ela. Realmente eu via vários homens entrarem para casa dela, bem vestidos, boa pinta, mas sempre pensei "coitadinha da velhota, lá vai mais um enfermeiro para lhe dar a injecção e os comprimidos" . Ao que parece, não me enganei por muito, eles realmente iam lá para lhe dar com a injecção, e os comprimidos que ela tomava deviam ser daqueles de carne, com cabeça e pescoço.
Sempre a vi como uma senhora doente. Ela queixava-se muito das costas, eu sempre pensei que fosse devido à bilha de oxigénio que o senhor Acácio, o seu marido, usava constantemente, inclusive na cama. Mais tarde, e com o passar dos anos, pensei que fosse culpa daquele rapaz moreno de olhos verdes, musculado, na casa dos 20 anitos que ia todas as 3ª's e 6ª's lá a casa dar aulas de ginástica, pensava eu. "Uma senhora tão doente como a Madame Carlota não devia fazer ginástica nem levantar pesos, deve-lhe dar cabo das costas" , pensava eu muito inocentemente. Mal eu sabia que o único peso que ela levantava era o halter de 200gr de pêlo que mais parecia um bife do lombo. Com o passar dos anos, a coisa intrigou-me e resolvi ir ao chinês comprar uns binóculos. O ritual da madame era o seguinte :
7h da manhã - Acordar, tirar a dentadura do copo de água na mesinha de cabeçeira
7h05m - Dar mais uma mocada no despertador e coçar a mama direita.
7h10m - Senta-se na retrete para arriar o calhau com muito cuidadinho por causa da hemorróida.
7h25m - Acorda na retrete com o despertador a tocar.
7h40m - Pinta-se em frente ao espelho, veste 4 soutiens para conseguir segurar as mamas acima do umbigo e passa perfume na passaroila não vá o Acácio tomar o Viagra logo à noite
8h30m - Toma o pequeno almoço ; 28 comprimidos de 9 cores e 7 formatos diferentes. Ah, também belisca metade de 1/3 de meia torrada. Ficou cheia.
Saía para dar o passeio matinal e voltava para casa, voltando a sair só para o lanche na esplanada com as velhas lá da rua. Eram 4, de propósito para jogar à sueca, todas juntas deviam somar 900 anos de vida - ou mais . Uma delas , senão me engano, esteve presente na última ceia de Cristo, só para vocês verem.
Boa Tarde, o que é que vai ser Dona Carlota ? " , perguntava o empregado. " Um palito de torrada e meio garoto. Ah, e para si é Madame Charlotte, s'il vous plaît !! ", ao qual ele respondia " Desculpe mas não temos  da Yoplait , pode ser outra marca ? ".
Eu não me posso queixar muito, comigo ela até era porreirita. Com a excepção de nunca me ter chamado pelo meu nome, dizia sempre outro nome qualquer, tipo Olá tiaguinho, ou Nuno , tás bonzinho ?, seguido de toma lá 5 mé reis e vai comprar um rajá. Hoje em dia, e com o processo Casa Pia, se ela fizesse isso, muito provavelmente estaria a comer scones e chá na ala B da prisão feminina de Tires.