segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A Ida Ao Barbeiro



Hoje fui ao barbeiro. Só por si, assim à primeira e à segunda vista e como quem não quer a coisa, não parece nada de especial. Não seria nada de especial para uma pessoa normal, mas para um perfeito palerma como eu, é óbvio que deu buraco. Ai se deu. Só corto o cabelo p'rai de 3 em 3 meses, ou mais. Basicamente, só quando estou numa sala escura com as luzes apagadas e nem o preto consigo ver, aí sim, é altura de ir visitar o barbeiro. Barbeiro esse que me corta a trunfa há mais de duas décadas e me conhece de pequenino. Agora façam as contas. Se eu lá for de 3 em 3 meses, significa que vou lá 4 vezes por ano, vezes 20 e tal anos dá mais de 100 visitas. Apesar disso, não é que o cabrão não sabe o meu nome ?! Pior ! Não só não sabe o meu nome, como me chama de Tiago. Tiago ?!?! Ah , peço desculpa, Tiago é parecidíssimo com Rui. É tipo Cornetto e Calippo.
"Dê-me um Calippo de morango se faz favor" , " O quê? Queres um Cornetto de Chocolate?". Enfim, não vamos por aí. 
Como eu estava a dizer, entrei e ouvi logo um " então Tiago, vens cortar o cabelo". Começas bem, pensei logo eu para mim. Não, quero 1 kg de carne de vaca picada. 2 vezes se faz favor. Não disse isto porque sou um gajo educado e refinado, mas vontade não me faltou. No seguimento de coisas boas, a máquina encravou, e com ela foi metade do meu escalpe agarrado. Saltou uma posta que mais parecia um lombo de bacalhau que outra coisa. Foi nessa altura que eu vejo o Sr.Ernesto entrar. Caguei-me todo, foda-se.
- Oh Tiago, a máquina encravou, e assim que acabar de dar uns pontos na tua cabeça, aqui o Sr. Ernesto corta-te o cabelo, tá bem ?
Para quem não sabe, o Sr. Ernesto é o jardineiro lá do bairro. Anda sempre com uma moto-serra numa mão e um cortador de relva na outra. Corre o boato que cortou a cabeça da mãe porque ela lhe deu uma prato de Cerelac quente demais. Bom, lá os convenci a mandar o Sr. Ernesto embora e lá acabaram por me cortar o cabelo. Uma coisa que nunca percebi é o calor que faz dentro daquela barbearia. Acho que dormir dentro de uma lareira acesa é mais fresquinho. Como começo logo a suar, quero é que eles se despachem. Assim que sinto a mão na minha testa suada penso logo 'pronto, o cabrão do velho tá a sentir a nhanha peganhosa e vai me cortar o cabelo aos bicos'. 'Tá bom ou vê lá se queres mais curto' , eu abano logo a dizer que sim, pago e vou embora. Assim que chego ao carro vejo logo a merda que me fizeram. Consigo chegar a casa mais depressa do que se estivesse à rasca para cagar. Vou à casa de banho e olho-me no espelho. Sofro daquilo a que chamo Efeito Whisky. É o mesmo que acontece quando vamos à discoteca e, podres de bêbados, engatamos uma gaja boa como o milho. No dia a seguir quando acordamos sóbrios, damos conta que temos um entrouxo manhoso com ar de pindérica atrombolhada ao nosso lado. É mais ou menos o efeito dos espelhos nos ginásios ; parecemos sempre magros e musculosos. Quando chegamos a casa e nos vamos olhar ao espelho, damos conta que do ginásio até casa ganhamos uma pança maior que a do Nicolau Breyner. Resultado : dou comigo com a cabeça no lavabo e com a tesoura na mão. Passados 5 minutos e outras tantas tesouradas, só me vem uma coisa à cabeça ; abençoado o gajo que inventou o boné . . . .

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O (in)Voluntário



Lamento profundamente informar todos aqueles que pensavam que eu já tinha morrido, e passo a citar 'eh pá , o cabrão morreu', pois para alegria de . .  basicamente ninguém, eu estou vivo e de boa saúde. O cuspir sangue, os vómitos e as fezes a parecerem mousse de chocolate mas com cheiro de diarreia de há 4 dias, segundo o meu médico, são apenas sinais de stress. Abençoado stress, seja lá ele o que for. Acontece que acordei um dia -lá está, mais um sinal de saúde, quem não acorda de manhã não padece de grandes perspectivas além de um cemitério - e disse : Foda-se, quem é que se cagou aqui que tá um cheiro a merda horrível ? Depois apercebi-me que tinha dormido sozinho e calei-me. Basicamente o que eu quero dizer é que tive uma epifânia. Não tem nada a ver com afanar, tem a ver com o facto de eu ter tido uma visão, uma luz que me disse Oh grande monte de merda, faz algo de útil na vida. Isso e mais meia dúzia de palavrões que nem me atrevo a repetir aqui. Foi então que decidi embebedar-me. E assim foi. Resultado: 4h da manhã deitado  no meio da rua na 24 de Julho, aquecido com o meu próprio vomitado espalhado pelo meu corpo. Foi então que apareceram uns gajos de uma associação que têm por hábito (que merda de hábito, mas enfim) agarrar em gajos podres de bêbados e fazê-los assinar inconscientemente uma declaração na qual se tornam membros de uma associação de voluntários chamada Trabalhadores Involuntários. E pronto, sem saber ler nem escrever, lá fui para uma missão voluntariado na Etiópia, vejam bem. Eu, que o mais longe que tinha foi até Paço D'Arcos o Verão passado para tomar um banhinho na praia do cagalhão. A minha missão consistia em localizar e procriar com o maior número de mulheres loiras de olhos azuis cujo principal meio de transporte no deserto da Etiópia, fosse um Ferrari amarelo. Como devem calcular, a missão foi um estrondoso, hummmmmm . . . como é que eu hei-de dizer isto, fiasco! É isso, fiasco. Mais depressa abria uma loja Emporio Armani , e ficava rico a vender roupas chiquérrimas e caras como a puta c'os pariu no meio do deserto, do que encontrar mulheres loiras de olhos azuis cujo principal meio de transporte no deserto da Etiópia, fosse um Ferrari amarelo. Mas nem tudo foi mau. Fiquei a saber que as camelas são óptimas na cama. Nas dunas, vá. Só por si, o simples facto de comer uma camela numa duna do deserto da Etiópia, já é muito mau, o facto de cada trancada que lhe dava me vinha a imagem do Rui Reininho à cabeça, isso meus amigos, marca-me até hoje. "Dunas , são como divãs . . .  biombos indiscretos , bla bla bla" , são o raio que ta parta pá! Eu bem que via os outros camelos a rirem-se de mim lá atrás, mas sempre ouvi dizer, malandro que é malandro não estrilha, muda de esquina. Ou de duna.

                 ATENÇÃO : TÁ UM P.S AQUI EM BAIXO











P.S: É com grande orgulho que vos digo que assim que voltei, passei 2 dias e 3 noites enfiado na primeira casa de putas que encontrei. Só me levantava da cama para mijar, e isso só quando o penico já estava cheio. Posso-vos dizer que tive a gaita mais tempo enfiada na boca do que o pífaro na boca do Rao Kyao . . .

domingo, 28 de novembro de 2010

Artur, O Deficiente Das Forças Armadas



Antes de mais, quero que fique aqui bem expresso - não, não é publicidade ao jornal - que tenho toda a admiração pelos nossos bravos combatentes, em especial aqueles que trouxeram sequelas físicas das guerras em que participaram. Eu próprio sei dar o valor. Ainda ontem estava a jogar Playstation e ia partindo o dedo mindinho ao dar um pontapé no sofá quando perdi a minha ultima vida a lutar contra uma centopeia gigante. Doeu p'ra caralho. Aliás, doeu pr'a mindinho! Logo aí apercebi-me que nas guerras a sério, um gajo estar muito sossegado atrás de um arbusto, com a cara pintada que mais parece que vai para um jogo do Sporting, e de repente, como quem não quer a coisa, leva uma morteirada no lombo, eh pá . .  deve ser irritante. Ah, e também deve doer. Pelo menos que avisassem. Oh excelentíssimo senhor inimigo, tenha atenção que eu e a minha malta, vamos lançar para esses lados uma data de coisas que são capazes de picar ... e arrancar membros, já agora. Mas pronto, a juventude de hoje em dia não tem educação nenhuma e lá vai disto, toma lá uma granada ou um míssil e desenmerda-te. Foi o que aconteceu ao Artur. O Artur, que por acaso é meu vizinho, teve um galo do catano. A mãe mandou-o ir às Finanças tratar de uma papelada, ele que era burro que nem uma porta - hoje em dia é burro que nem uma janela - entrou na porta ao lado, e quando deu por ele , lá ia a caminho do Iraque. Passados 6 meses, o Artur voltou. Diferente, mas voltou. Como é que eu hei-de dizer isto ; o Artur teve um pequeníssimo ferimento de guerra. Foi apertar os atacadores e pisou 4 minas, ao mesmo tempo que levou com um míssil nas costas. Resultado: perdeu todos os membros do corpo. Ah, e perdeu o tronco também. Resumindo, ficou só a cabeça. Fui busca-lo ao aeroporto. A minha primeira reacção quando o vi foi ' Eh pá, tens um penteado novo oh Artur!' , admito que não tenha sido a coisa mais brilhante do mundo, mas antes isso que dizer ' dá cá um abraço' . Todos tentámos ignorar ao máximo o problema. Lá na rua, os putos brincavam com o Artur como se nada fosse. Antes de ir para a guerra, era o guarda-redes do bairro. Agora é a bola. Eu reagi de maneira diferente, tentei levá-lo comigo para todo o lado. Principalmente para o bowling. Bons tempos passamos nós. Ainda me lembro como se fosse hoje, quando eu lhe gritava OH ARTUR, FECHA OS OLHOS ANTES DE ACERTARES NOS PINS  !!!  Tínhamos uma amizade bonita. Sempre na palhaçada. No Carnaval, eu embrulhava o Artur num papel vermelho, escrevia Flamengo por fora e dava às minhas tias. Parece que tou a ver a cara das carcaças velhas quando abriam e em vez do queijo viam uma cabeça humana. Aí sim, davam uma nova forma à palavra enfarte. Com o passar do tempo perdi o contacto com o Artur. Ele não gostava muito de telemóveis, nunca percebi bem porquê. Dizia ele que estava sempre a apanhar choques por ter de atender com a língua. Ainda me lembro quando o Artur espirrava. Tínhamos de o ir apanhar ao fundo da rua, e se apanhasse balanço e houvesse inclinação, nunca mais o víamos. Parecia um balão a perder ar. Hoje em dia, sempre que vejo um jogo de futebol, lembro-me dele . . . .

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

PatimJacking



Cheguei à triste conclusão que jamais serei famoso. Comentários do tipo és um burro, tens uma inteligência ao nível de uma parede de tijolo, és um brujeço e por aí adiante, desmoralizam um gajo. Quando são os amigos a dizer-nos isso, ainda vá que não vá, agora quando são pessoas na rua, que não conhecemos de lado algum, a dizerem-nos és um burro, tens uma inteligência ao nível de uma parede de tijolo e és um brujeço, se calhar é caso para parar e pensar que são capazes de ter razão. Para dificultar-me mais a vida, a minha principal actividade profissional está com os dias contados ; assaltar velhotas que vão buscar as pensões no dia 1 à Caixa Geral de Depósitos. Esta crise tá a dar cabo das profissões de toda a gente. Não há dinheiro para as reformas, logo, vou ficar no desemprego. Foi então que se fez luz na minha cabeça, que é dos poucos sítios onde ainda não tenho de pagar nada à EDP. Nos intervalos dos filmes da Playboy TV, mudo para as notícias. Ah e tal assaltaram um carro. Não sei quem fez não sei quê e levou o carro. Eles eram 4 encapuçados, mediam entre 1,50m e 2,25m, tinham 2 braços , 2 pernas e hálito a Tridente de morango. Meus amigos, CarJacking ! É a maneira de eu aparecer na televisão e ser famoso. Os marmanjos que fazem Carjacking aparecem sempre nos telejornais rodeados de policias e seguranças. É isso mesmo, vou-me dedicar ao Carjacking. O único problema é que isso já está muito batido, qualquer míudo aponta uma naifa a um gajo e saca-lhe um carro. Eu quero ser um pioneiro, um inovador, quero que as pessoas passem por mim na rua e digam bandalho, deste cabo da minha vida. Vocês sabem, este tipo de incentivo. Foi então que decidi ser o primeiro gajo no mundo a fazer Patimjacking. Basicamente é a mesma merda que o carjacking mas sem carro. Com patins. Um dia fui para o Restelo, para os parques infantis onde param as criancinhas todas. Tudo o que fosse patins em linha marchava. Aqueles de 4 rodinhas também, mas é uma onda mais retro, mais anos 70, é o mesmo que roubar um Fiat Uno quando temos um Ferrari ao lado. A primeira vitima foi um familiar do José castelo Branco - já vão perceber porquê mais à frente . Não tinha nada pensado sobre como abordar a pessoa, deixei-me ir na emoção do momento e bora nessa Vanessa. OU ME DÁS OS PATINS OU VOU-TE AO CÚ - disse eu num tom incrivelmente masculino e machão.
- Ai filha , patins há muitos !! - E nisto baixou as calças e apontou-me o escape.
Como era a minha primeira vez no mundo do Patimjacking, não quis ficar com fama de paneleiro e fui-lhe ao bujon. A partir daqui foi sempre a melhorar. Fui apanhado 3 ou 4 vezes pela polícia, quase sempre quando ainda estava a tentar calçar os patins. É que no Carjacking um gajo afana o carro e pira-se dali. No meu caso, e com o jeitinho que eu tinha para calçar/andar de patins, entre roubar e fugir dali p'ra fora, era menino para demorar três quartos de hora. Ou mais, conforme eu tivesse as unhas cortadas ou não. Mas o que me dava realmente gozo e que fazia com que esta minha actividade fosse tão bonita e nobre, era quando eu fugia com os patins e ouvia ao longe Mamã , Papá, aquele ladrão roubou-me os patins que a Vovó me deu antes de morrer. É que, meus amigos, ser ladrão é o primeiro passo para um dia mais tarde chegar a Primeiro-Ministro*. . .



* Porreiro, pá !

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A Lei Do Estômago



Sou um gajo egoísta, admito. Não gosto de partilhar com os outros. Aliás, eu nem gosto de partilhar comigo mesmo, quanto mais com os outros. É por esse motivo que eu não quero ter 2 personalidades. Era só o que me faltava ter de partilhar o meu corpo com outra personalidade, tá bem tá. Mas hoje vou abrir uma excepção e partilhar algo meu, do meu íntimo, do meu foro interno (literalmente). Ainda à escassos momentos, estava eu naquele local de inspiração para grandes génios e mentes por esse mundo fora, de seu nome localis di cagare, em latim , que, trocando por míudos quer dizer mais ou menos, retrete, vá. Veio-me uma coisa à cabeça. Minto ; vieram-me duas coisas à cabeça.  A primeira foi o cheiro nauseabundo e quase Chernobylesco que insistia em sair das profundezas do meu extremamente esbelto e linearmente esculpido corpo de Adónis do Casal Ventoso. A segunda foi que - isto pode parecer estúpido e idiota, mas vendo bem, é idiota e estúpido - aquilo que nós defecamos sai por uma ordem lógica e pré-determinada. Imagino que haja neste momento um grande dúvida nas mentes de muitos de vós : O que é defecar ? Pois bem, defecar é, nem mais nem menos que cagar de forma fina. Arriar o calhau, pronto. Não vale a pena estarem p'raí com ai que nojo, sempre com a conversa de merda  e não sei quê. Meus amigos, TODOS cagamos. A diferença é que enquanto a alguns lhes basta salpicar a salada de frutas, a outros, o banho é a única solução. Mas dizia eu que tive uma visão. Aliás, duas visões se contarmos com a do gremlin que teimava em não descer mesmo depois de eu já ter estragado 3 piaçabas e descarregado o autoclismo 16 vezes seguidas. Posso dizer que jamais vou olhar para uma mousse de chocolate da mesma maneira. Bom, cheguei à conclusão o nosso intestino funciona por senhas. Ou seja, eu comi guacamole ao jantar e fui à casa de banho. Qual foi o meu espanto quando me veio um cheiro bastante intenso e desagradável a feijoada, que por acaso tinha sido o meu almoço. Logo, isto quer dizer que existe sim uma hierarquia merdal. Almoço primeiro, jantar depois. Pelo menos comigo funciona assim. Pode-se dizer que o meu intestino é tipo uma repartição das finanças onde somos despachados pela ordem de chegada e onde, mais tarde ou mais cedo, vamos ter de voltar lá. A única diferença é que não é preciso tirar senha. O almoço entrou primeiro, sai primeiro. O jantar, esse, a não ser que tenha algum conhecimento lá para os lados do intestino delgado ou do esófago, vai mesmo ter de esperar pela vez dele para ser 'atendido'.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O Aluguer



O que vos vou contar pode parecer bastante estúpido, muito provavelmente porque é mesmo bastante estúpido, mas mesmo assim sinto uma necessidade tão grande de desabafar como a vontade que a Mónica Lewinsky tinha de apitar a gaita do Bill. Tá aqui um gajo sozinho e sossegado no seu canto a altas horas da madrugada , a tentar manjar um filme pornográfico que fui buscar ao clube de vídeo. Não é tarefa fácil, aviso-vos já. A não ser que queiram ser rotulados na vizinhança de punheteiro, alugar um filme porno sem que ninguém perceba requer arte e engenho. Normalmente coloco-me num ângulo de 90º graus de modo a que a prateleira dos ditos cujos fique de costas para mim, mas de maneira a que eu consiga ver as capas, nem que seja pelo cantinho do olho - expressão que acho extremamente apropriada, tendo em conta os filmes em questão. O ideal é fingir que estou à procura de um filme na secção dos filmes de Acção. Se houver mais machos no local, pensam logo "eh pá, aquele gajo deve ser fodido para a mocada, é melhor não olhar de frente para ele", e dessa forma saio com a fama de machão e tal. Mas se houver gajas, aí a coisa muda de figura. Aqui o Je muda logo para a secção de Comédias Românticas, mesmo naquela de " um homem sensível, não é como aqueles brutamontes que só querem ver sangue e mortes, ai ai ". Posto isto, e assim que não esteja ninguém a ver, saco o filme que quero, meto-o debaixo do braço e vou junto do parvo que está a atender.
- Tens o ultimo filme do Charlie Chaplin ? , digo eu muito convicto da minha escolha.
- Ele já morreu há mais de 30 anos.
- Ok , então levo este aqui mesmo.
- Qual ? O ' Fodas à Jorge Jesus : 7 na peida! ' ?!
- Sim , esse mesmo . . importa-se de falar mais baixo ?!
- Só um momento, vou pedir ao meu colega para trazer.
De repente , ele pega no microfone e ouve-se alto e bom som nos altifalantes da loja :
- Carlos ... Carlos, PODES VIR À RECEPÇÃO TRAZER O 'Fodas à Jorge Jesus: 7 na peida!' PARA O SENHOR DE VERDE AQUI NO BALCÃO, OBRIGADO.
É nessas alturas que a expressão "Só queria ter um buraco para me esconder" toma o seu real significado. Não é de estranhar que quando passo na rua oiço bocas do tipo "oh tarado, já vais p'ra casa descascar uma" , " oh punhetas, não as comas com os olhos que ainda ficas cego" , enfim, tudo pessoas com infâncias tristes, digo eu. Tornei-me alvo de chacota na vizinhança. A última que me fizeram foi porem um bicho morto na campainha da minha porta. Dizem eles , que é para quando for alguém lá a casa me tocar ao bicho. As pessoas são más. Só porque tenho o braço direito mais desenvolvido que o esquerdo, fazem logo filmes e não sei quê. É uma questão de genética, digo eu. É uma questão de punheta, dizem eles. Há gajos que já viram o E Tudo o Vento Levou umas 50 vezes. Eu vejo filmes educacionais como Bebe o Leitinho Todo Que Só te faz Bem. É bom aprender e ver coisas novas, parar é morrer. E como eu costumo dizer, águas paradas atraem o mosquito da Dengue, e por estes lados, o único mosquito que tem direito a picar é o mosquito zarolho . . .

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A Importância do 'Re'



Tenho reparado que muita gente não dá a devida importância às pequenas coisas da vida, do dia a dia. Eu dou. Sou obrigado a isso. Pelo menos todos os dias quando acordo e vou mijar, dou comigo a olhar para a mangueira genital e a pensar  Que mal terei eu feito para merecer este mini pickle ? Pois, provavelmente isto já aconteceu a alguns de vós, não nas dimensões do meu caso, mas algo parecido. Nestes últimos dias, e talvez por não tomar a medicação contra as alucinações, tenho reparado muito no re. Agora, e com todo o direito, perguntam vocês "Oh meu granda boi , que merda é essa do re ??? Devo admitir que até fico um bocado envergonhado em responder, mas vendo bem as coisas, pior do que estar a teclar de fio dental rosa, unhas pintadas e cinto de ligas com uma nota de 10€ pendurada, não deve ser. O re é aquela coisinha que nós pomos antes das palavras e que significa voltar a fazer uma determinada acção. Em vez de dizermos 'voltar a ler', dizemos 'reler'. Em vez de dizermos 'enviar outra vez', dizemos 'reenviar' , e por aí adiante. Acho que já deu para perceber a ideia, se não deu é porque são uns burros do caralho. Quer dizer, são pessoas que não estão com atenção, vá. Adiante. Como eu estava a dizer, a vida é minha e eu faço dela o que quero. E nela incluo a maneira de falar. Se o Sócrates foi eleito Primeiro-Ministro, porque é que eu não posso falar como quero?  Se usamos o re para umas coisas, porque não o usamos em tudo ? Isso, meus amigos,  é discriminação palavral. Por exemplo, vou-vos contar um episódio normalíssimo do meu quotidiano usando a linguagem re. Reestacionei o meu carro na garagem. Recarreguei no botão do elevador e reentrei em casa. Revi a minha mulher. Estava a recozinhar, tal e qual como nos outros dias. Redisse que queria batatas fritas com o bacalhau. Ela refilou. Segundo ela, batata frita com bacalhau é tão bom como almôndegas com chantily. Enfim, resuspirei e resentei-me no sofá. Repeidei-me que nem um lorde, a feijoada do almoço ainda não tinha descido toda. Resolvi ir recagar a retrete. Bom, recaguei-me todo e tive de rebanhar-me, só relavar os tomates não era o suficiente. Reentrei na sala e estava o comer na mesa. Recomi e fui para a cama. Passados escassos minutos, a patroa refez o mesmo. Assim que ela se redeitou na cama, eu reapalpei-lhe a peida. "Estás a rearmar-te em parvo é ?" redisse ela num tom depreciativo. "Não querida, apenas pensei que podíamos refoder". Reamanheceu e eu reacordei. Relevantei e dirigi-me à casa de banho. Recocei os tomates como se fosse o fim do mundo e remijei que nem uma mangueira dos bombeiros. Rearrotei e relavei os dentes. Revesti-me e preparei-me para ir retrabalhar. Não sem antes redar a palmadinha da praxe no traseiro da patroa, como se estivesse a matar uma mosca. Cheguei ao trabalho e reoiço uma voz ao longe , "Oh Caldeira . . .  reatrasado mais uma vez ?!?!? está redespedido !!" . "Oh chefe, não me pode redespedir, ainda não me despediu !!". "Ai é ? Então tá despedido !! E agora  . .  redespedido !!".  Bom, como dá para ver, até no mundo dos re existem pessoas destas. São os chamados refilhos da  reputa . . .