Tenho reparado que muita gente não dá a devida importância às pequenas coisas da vida, do dia a dia. Eu dou. Sou obrigado a isso. Pelo menos todos os dias quando acordo e vou mijar, dou comigo a olhar para a mangueira genital e a pensar Que mal terei eu feito para merecer este mini pickle ? Pois, provavelmente isto já aconteceu a alguns de vós, não nas dimensões do meu caso, mas algo parecido. Nestes últimos dias, e talvez por não tomar a medicação contra as alucinações, tenho reparado muito no re. Agora, e com todo o direito, perguntam vocês "Oh meu granda boi , que merda é essa do re ??? Devo admitir que até fico um bocado envergonhado em responder, mas vendo bem as coisas, pior do que estar a teclar de fio dental rosa, unhas pintadas e cinto de ligas com uma nota de 10€ pendurada, não deve ser. O re é aquela coisinha que nós pomos antes das palavras e que significa voltar a fazer uma determinada acção. Em vez de dizermos 'voltar a ler', dizemos 'reler'. Em vez de dizermos 'enviar outra vez', dizemos 'reenviar' , e por aí adiante. Acho que já deu para perceber a ideia, se não deu é porque são uns burros do caralho. Quer dizer, são pessoas que não estão com atenção, vá. Adiante. Como eu estava a dizer, a vida é minha e eu faço dela o que quero. E nela incluo a maneira de falar. Se o Sócrates foi eleito Primeiro-Ministro, porque é que eu não posso falar como quero? Se usamos o re para umas coisas, porque não o usamos em tudo ? Isso, meus amigos, é discriminação palavral. Por exemplo, vou-vos contar um episódio normalíssimo do meu quotidiano usando a linguagem re. Reestacionei o meu carro na garagem. Recarreguei no botão do elevador e reentrei em casa. Revi a minha mulher. Estava a recozinhar, tal e qual como nos outros dias. Redisse que queria batatas fritas com o bacalhau. Ela refilou. Segundo ela, batata frita com bacalhau é tão bom como almôndegas com chantily. Enfim, resuspirei e resentei-me no sofá. Repeidei-me que nem um lorde, a feijoada do almoço ainda não tinha descido toda. Resolvi ir recagar a retrete. Bom, recaguei-me todo e tive de rebanhar-me, só relavar os tomates não era o suficiente. Reentrei na sala e estava o comer na mesa. Recomi e fui para a cama. Passados escassos minutos, a patroa refez o mesmo. Assim que ela se redeitou na cama, eu reapalpei-lhe a peida. "Estás a rearmar-te em parvo é ?" redisse ela num tom depreciativo. "Não querida, apenas pensei que podíamos refoder". Reamanheceu e eu reacordei. Relevantei e dirigi-me à casa de banho. Recocei os tomates como se fosse o fim do mundo e remijei que nem uma mangueira dos bombeiros. Rearrotei e relavei os dentes. Revesti-me e preparei-me para ir retrabalhar. Não sem antes redar a palmadinha da praxe no traseiro da patroa, como se estivesse a matar uma mosca. Cheguei ao trabalho e reoiço uma voz ao longe , "Oh Caldeira . . . reatrasado mais uma vez ?!?!? está redespedido !!" . "Oh chefe, não me pode redespedir, ainda não me despediu !!". "Ai é ? Então tá despedido !! E agora . . redespedido !!". Bom, como dá para ver, até no mundo dos re existem pessoas destas. São os chamados refilhos da reputa . . .
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terça-feira, 2 de novembro de 2010
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