Cheguei à triste conclusão que jamais serei famoso. Comentários do tipo és um burro, tens uma inteligência ao nível de uma parede de tijolo, és um brujeço e por aí adiante, desmoralizam um gajo. Quando são os amigos a dizer-nos isso, ainda vá que não vá, agora quando são pessoas na rua, que não conhecemos de lado algum, a dizerem-nos és um burro, tens uma inteligência ao nível de uma parede de tijolo e és um brujeço, se calhar é caso para parar e pensar que são capazes de ter razão. Para dificultar-me mais a vida, a minha principal actividade profissional está com os dias contados ; assaltar velhotas que vão buscar as pensões no dia 1 à Caixa Geral de Depósitos. Esta crise tá a dar cabo das profissões de toda a gente. Não há dinheiro para as reformas, logo, vou ficar no desemprego. Foi então que se fez luz na minha cabeça, que é dos poucos sítios onde ainda não tenho de pagar nada à EDP. Nos intervalos dos filmes da Playboy TV, mudo para as notícias. Ah e tal assaltaram um carro. Não sei quem fez não sei quê e levou o carro. Eles eram 4 encapuçados, mediam entre 1,50m e 2,25m, tinham 2 braços , 2 pernas e hálito a Tridente de morango. Meus amigos, CarJacking ! É a maneira de eu aparecer na televisão e ser famoso. Os marmanjos que fazem Carjacking aparecem sempre nos telejornais rodeados de policias e seguranças. É isso mesmo, vou-me dedicar ao Carjacking. O único problema é que isso já está muito batido, qualquer míudo aponta uma naifa a um gajo e saca-lhe um carro. Eu quero ser um pioneiro, um inovador, quero que as pessoas passem por mim na rua e digam bandalho, deste cabo da minha vida. Vocês sabem, este tipo de incentivo. Foi então que decidi ser o primeiro gajo no mundo a fazer Patimjacking. Basicamente é a mesma merda que o carjacking mas sem carro. Com patins. Um dia fui para o Restelo, para os parques infantis onde param as criancinhas todas. Tudo o que fosse patins em linha marchava. Aqueles de 4 rodinhas também, mas é uma onda mais retro, mais anos 70, é o mesmo que roubar um Fiat Uno quando temos um Ferrari ao lado. A primeira vitima foi um familiar do José castelo Branco - já vão perceber porquê mais à frente . Não tinha nada pensado sobre como abordar a pessoa, deixei-me ir na emoção do momento e bora nessa Vanessa. OU ME DÁS OS PATINS OU VOU-TE AO CÚ - disse eu num tom incrivelmente masculino e machão.
- Ai filha , patins há muitos !! - E nisto baixou as calças e apontou-me o escape.
Como era a minha primeira vez no mundo do Patimjacking, não quis ficar com fama de paneleiro e fui-lhe ao bujon. A partir daqui foi sempre a melhorar. Fui apanhado 3 ou 4 vezes pela polícia, quase sempre quando ainda estava a tentar calçar os patins. É que no Carjacking um gajo afana o carro e pira-se dali. No meu caso, e com o jeitinho que eu tinha para calçar/andar de patins, entre roubar e fugir dali p'ra fora, era menino para demorar três quartos de hora. Ou mais, conforme eu tivesse as unhas cortadas ou não. Mas o que me dava realmente gozo e que fazia com que esta minha actividade fosse tão bonita e nobre, era quando eu fugia com os patins e ouvia ao longe Mamã , Papá, aquele ladrão roubou-me os patins que a Vovó me deu antes de morrer. É que, meus amigos, ser ladrão é o primeiro passo para um dia mais tarde chegar a Primeiro-Ministro*. . .
* Porreiro, pá !

